Na noite desta quarta-feira (3), a Polícia Federal (PF) ouviu o depoimento do presidente Jair Bolsonaro no processo que investiga uma suposta interferência no órgão. E apesar das reclamações da da defesa de Sergio Moro, o depoimento ocorreu sem a presença dos advogados do ex-ministro da Justiça por autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com informações do portal Uol.

Ao longo de 13 perguntas feitas pelos agentes, o presidente foi questionado, entre outros pontos, sobre as declarações dadas pelo ex-ministro Sergio Moro a respeito de supostas interferências de Bolsonaro na PF; sobre as tentativas de trocas, e a efetivação delas, nos cargos de chefia da Polícia Federal; sobre a investigação a respeito do atentado sofrido por Bolsonaro em 2018; e sobre a apuração da morte da vereadora Marielle Franco.

A defesa do ex-ministro, no entanto, afirmou que houve “falta de isonomia” porque o depoimento de Sergio Moro, ocorrido em abril de 2020, foi aberto à defesa do presidente.

O veículo explicou que, em ofício enviado a Moraes, o delegado Felipe Leal questionou o ministro sobre a necessidade de chamar os advogados de Moro para acompanhar o depoimento de Bolsonaro. Ele então citou uma decisão do ex-ministro Celso de Mello, que foi relator do inquérito na Corte, sobre a questão. Celso de Mello havia aberto os depoimentos iniciais para todas as defesas.

Moraes, no entanto, considerou que a decisão do ex-ministro foi um excepcionalidade, já que os depoimentos à época ocorreram após a quebra do sigilo do vídeo de uma reunião ministro de abril de 2020. A decisão foi emitida pelo ministro em um despacho de agosto.

“Entendo não haver necessidade de manutenção daquele procedimento para todas as oitivas”, escreveu Moraes.

Fonte: Pleno News