Assassinos de Raquel Cattani são condenados a mais de 30 anos de prisão; “Sensação de alento”, diz pai
O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum encerrou, na noite desta sexta-feira (23), um dos casos de maior repercussão no estado, condenando os dois acusados pela morte de Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL). Após uma sessão exaustiva que durou aproximadamente 16 horas, o Conselho de Sentença decidiu pela culpabilidade de Romero Xavier Mengarde, ex-marido da vítima, e de seu irmão, Rodrigo Xavier Mengarde.
A juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski proferiu as sentenças que, somadas, ultrapassam seis décadas de reclusão em regime fechado. Rodrigo Xavier Mengarde, apontado como executor do crime, foi condenado a 33 anos, três meses e 20 dias de prisão pelos crimes de feminicídio e furto. Já Romero Xavier Mengarde, o mandante do assassinato, recebeu a pena de 30 anos por feminicídio.
Qualificadoras e Brutalidade
Os sete jurados que compuseram o Conselho de Sentença acolheram integralmente a tese da acusação de homicídio qualificado. Foram reconhecidas agravantes severas, incluindo feminicídio, motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Tais circunstâncias foram determinantes para que a magistrada aplicasse as penas máximas previstas na legislação brasileira para este tipo de crime.
Segundo a denúncia, o crime ocorrido em 18 de julho de 2024, na zona rural de Nova Mutum, foi friamente planejado pelo ex-marido e executado pelo irmão mediante promessa de pagamento, simulando um cenário de latrocínio.
“Não tem como encerrar o sofrimento”
O deputado Gilberto Cattani permaneceu no plenário durante todo o julgamento. Ao final, diante dos assassinos de sua filha, o parlamentar expressou um misto de dor e alívio institucional.
“As limitações de condenação são fracas no nosso país, mas é um alento, uma sensação de que vão pelo menos pagar um pouco do que fizeram de mal à nossa família”, declarou Cattani.
Para a família, a condenação não apaga a tragédia, mas oferece uma resposta necessária da Justiça. “Não tem como encerrar, não tem como esquecer, não tem como modificar, não tem como voltar atrás. O que está feito, está feito, mas é uma coisa que ameniza”, completou o deputado.
Cattani também elogiou a condução técnica do processo, destacando o trabalho da juíza, da promotoria e dos demais envolvidos no tribunal. “O que mais nos conforta não é ver eles nessa posição, mas, sim, ver a ação da Justiça sendo efetivada como foi aqui, desde a senhora juíza, assim como todos os demais membros que participaram, que foram espetaculares em suas funções”, finalizou.
Ambos os condenados permanecem detidos e iniciarão o cumprimento da pena imediatamente.





