Flávio tem nas mãos a oportunidade que o pai não teve
O atual cenário político em Brasília tem desenhado uma nova correlação de forças, e um racha evidente entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva parece abrir uma janela de oportunidade ímpar para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao contrário do que ocorreu nas últimas eleições presidenciais, o ambiente no Judiciário começa a dar sinais de mudança, criando um terreno potencialmente mais favorável para a direita nas próximas disputas.
Segundo análises recentes dos bastidores políticos, a desconfiança entre os Poderes tem crescido. As recentes investigações na Receita Federal, envolvendo a suspeita de vazamento de dados sigilosos do ministro Alexandre de Moraes e de outros membros da Corte, esfriaram a relação institucional. Somado a isso, há um desgaste interno no governo: o presidente Lula tem demonstrado forte irritação com decisões do ministro Dias Toffoli, especialmente as relacionadas ao caso do Banco Master.
Para os aliados de Flávio Bolsonaro, essa fissura é vista com otimismo. A avaliação no núcleo duro bolsonarista é de que, durante a campanha de 2022, o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teriam se comportado quase como uma linha auxiliar do atual governo, refletida na proximidade de Moraes com o Palácio do Planalto. No entanto, o clima agora é outro. A expectativa da oposição é de que esse distanciamento entre o Executivo e o Judiciário permita uma interlocução muito mais equilibrada e republicana com o Supremo durante as próximas campanhas eleitorais.
Mas o grande trunfo que recai sobre as mãos de Flávio Bolsonaro – e que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não teve em 2022 – é a nova composição de comando do TSE. Neste ano de eleições, a Corte Eleitoral estará sob a liderança de dois ministros indicados por Bolsonaro: Nunes Marques e André Mendonça.
Esse é considerado o ponto fundamental da estratégia política da direita. A leitura é clara: Flávio e os candidatos de seu grupo político não terão que lidar com um TSE visto por eles como intransigente ou atuando contra suas candidaturas. Para os conservadores, não se trata de buscar favorecimento, mas sim de garantir que um tratamento igualitário e imparcial seja aplicado — o que, na visão deles, já será mais do que suficiente para garantir uma disputa justa nas urnas.





