“Medo do sistema” e perplexidade: Sob anonimato, PF rebate críticas de Toffoli e expõe bastidores da Operação Compliance

Um clima de tensão e silêncio imposto pelo medo do “sistema” tomou conta dos corredores da Polícia Federal. Sob a estrita condição de anonimato, investigadores rebateram de forma contundente as acusações do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre uma suposta demora na execução da segunda fase da Operação Compliance Zero.

A ação, deflagrada nesta quarta-feira (14), resultou na prisão de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, e em buscas contra o empresário Nelson Tanure. O objetivo é apurar irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

A Resposta da PF: “Passamos meses esperando”

Enquanto Toffoli classificou a atuação da polícia como “inércia”, agentes envolvidos no caso desenham um cenário oposto. “Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, desabafou um investigador.

Segundo fontes da corporação, o atraso não foi por desleixo, mas por estratégia de inteligência: faltavam os endereços precisos dos alvos. A peça final do quebra-cabeça só foi obtida na noite de terça-feira (13), permitindo que a PF solicitasse as medidas ao STF às 19h13.

A urgência era real e técnica: Zettel estava prestes a embarcar para Dubai – uma “oportunidade única” para a captura e obtenção de provas – e Tanure tinha voo marcado para as 7h30, exigindo uma ação antes das 5h da manhã.

A Narrativa de Toffoli

Ignorando as justificativas operacionais, Toffoli manifestou em sua decisão “espécie” diante do descumprimento do prazo de 24 horas estipulado por ele anteriormente. O ministro alegou que a demora poderia permitir que envolvidos descaraterizassem “provas essenciais”, insinuando falta de empenho da corporação.

Interferência e as “82 Perguntas”

O choque entre a PF e o gabinete de Toffoli, no entanto, não é recente. O episódio atual soma-se a um histórico de atritos no Caso Master. No mês passado, um incidente gerou mal-estar durante o depoimento de Daniel Vorcaro.

Na ocasião, o gabinete de Toffoli enviou um roteiro pronto com 82 perguntas divididas em seis blocos temáticos para serem feitas ao investigado. A delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso, resistiu à interferência, argumentando que não poderia formular questões que não haviam sido preparadas por sua equipe.

A delegada só aceitou prosseguir após registrar formalmente em ata que o interrogatório estava sendo conduzido com perguntas formuladas diretamente pelo gabinete do relator, evidenciando uma condução atípica do processo judicial.

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Bruno Rigacci

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