Bolsonaro indica Flávio como nome da direita para 2026 e decisão reorganiza cenário político
Desde que foi declarado inelegível, em junho de 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser pressionado por aliados e setores da direita para indicar um nome que o substituísse na disputa presidencial de 2026. A cobrança se intensificou ao longo de 2025, especialmente após a prisão do ex-mandatário, quando parte do campo conservador passou a exigir uma definição imediata.
Após cerca de 200 dias preso, Bolsonaro anunciou oficialmente o nome escolhido: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A indicação gerou reações divergentes dentro da própria direita. Em um primeiro momento, setores do grupo político manifestaram desconfiança quanto à viabilidade eleitoral da escolha. No entanto, nos dias seguintes ao anúncio, aliados passaram a destacar o desempenho de Flávio Bolsonaro em entrevistas, debates públicos e levantamentos de intenção de voto, avaliando que a decisão pode ter sido estratégica.
Aliados próximos ao ex-presidente afirmam que a escolha foi fruto de avaliação cuidadosa de cenários e que Bolsonaro resistiu a pressões internas e externas antes de tornar pública sua decisão. Para esse grupo, a definição caberia exclusivamente ao ex-presidente, considerado o principal líder da direita brasileira e figura central na mobilização do eleitorado conservador.
A decisão também provocou manifestações públicas de discordância. O pastor Silas Malafaia, aliado histórico de Bolsonaro, declarou ser contrário à escolha e defendeu a formação de uma chapa alternativa, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na cabeça e Michelle Bolsonaro como vice. A declaração gerou reações entre parlamentares e lideranças do campo conservador, que reforçaram que a decisão cabe exclusivamente a Bolsonaro.
Em contraste, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que mantém sua pré-candidatura, reconheceu publicamente o direito de Bolsonaro de indicar um nome para a sucessão, gesto interpretado por aliados como sinal de maturidade política e respeito à correlação de forças dentro da direita.
A indicação de Flávio Bolsonaro não afasta, segundo aliados, o protagonismo de Tarcísio de Freitas, visto como liderança estratégica à frente do estado de São Paulo. Avaliações internas apontam que a permanência do governador no cargo fortalece o projeto político nacional do campo conservador.
Com a definição, Jair Bolsonaro reafirma sua influência sobre o futuro da direita brasileira e passa a atuar diretamente na reorganização do campo político para as eleições de 2026. A movimentação deve intensificar o debate interno e reposicionar alianças nos próximos meses.





