Gleisi se manifesta após “chapéu” de senador petista que pode derrotar Lula no Congresso
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (17) que não existe qualquer tipo de entendimento ou negociação no Senado em torno do chamado PL da Dosimetria, proposta que reduz penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A declaração ocorreu após falas do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que sugeriu a existência de um acordo político envolvendo o avanço do projeto.
Segundo Gleisi, a posição do governo Lula é inequívoca e já foi comunicada à base aliada no Congresso Nacional: o Palácio do Planalto é contrário ao projeto e orienta voto contra a matéria. A ministra ressaltou que não houve autorização, direta ou indireta, para qualquer tipo de negociação ou avanço do texto no Senado.
“Não há nenhuma negociação ou acordo no Senado envolvendo o projeto de lei da redução de penas para os golpistas condenados pelo STF”, afirmou a ministra.
Apesar da negativa oficial, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu publicamente que houve, sim, um acordo com a oposição para permitir a votação do PL da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O senador afirmou que tomou a decisão sem consultar previamente o presidente Lula ou a ministra Gleisi Hoffmann e declarou estar ciente do risco político envolvido.
“Acho que quem está na política tem que ter coragem de se arriscar. A política sem risco não tem graça”, disse Jaques Wagner.
A admissão do líder do governo aprofundou o desgaste interno no PT e provocou forte reação entre parlamentares da base governista, que passaram a criticar duramente a condução do tema. Nos bastidores, deputados e senadores petistas classificam o episódio como mais um sinal de desarticulação política do governo no Congresso.
O PL da Dosimetria já foi aprovado na CCJ do Senado e segue para votação no plenário ainda nesta quarta-feira. Caso seja confirmado o placar favorável, o governo Lula deve sofrer mais uma derrota relevante em uma pauta sensível, com impactos políticos e jurídicos diretos sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro — e potencial repercussão no cenário eleitoral de 2026.





