Exilado, Allan dos Santos detona Moraes em audiência na Câmara dos Deputados
O jornalista Allan dos Santos, atualmente exilado nos Estados Unidos, participou por chamada de vídeo de uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (27). O encontro foi promovido pela Subcomissão de Fiscalização e Direitos dos Presos do 8 de Janeiro, ligada à Comissão de Segurança Pública da Casa.
O colegiado foi criado para investigar possíveis violações de direitos humanos nos processos e prisões decorrentes dos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes contrários ao resultado das eleições presidenciais de 2022.
Durante sua fala, Allan dos Santos defendeu a anistia aos envolvidos nos atos e pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não desejo a morte, nem sequer a prisão de Alexandre de Moraes, mas exijo que ele saia do Supremo Tribunal Federal e seja julgado naquele devido processo legal que ele nunca usou contra os seus inimigos”, afirmou o jornalista.
Ele também fez um apelo aos parlamentares:
“Peço aos deputados, de todo o meu coração, que considerem a urgência de votar a anistia. Porque o único resquício de liberdade em democracia republicana que nós temos hoje no Brasil, é o Legislativo e o Executivo dos Estados. O Poder Federal é cúmplice da tirania do STF, que rasga a Constituição, não respeita mais as leis e sequer respeita o Poder Legislativo.”
Eduardo Bolsonaro reforça críticas
A audiência contou ainda com a participação remota do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também nos Estados Unidos. Em sua fala, o parlamentar endossou as críticas a Alexandre de Moraes, a quem classificou como “gangster” e “mafioso”, e o acusou de ser “o maior violador de direitos humanos da história do Brasil”.
A sessão foi marcada por discursos contundentes contra decisões judiciais envolvendo os investigados e condenados pelos eventos de 8 de Janeiro. Integrantes da subcomissão alegam haver abusos por parte do Judiciário, especialmente do STF, e defendem que os parlamentares retomem protagonismo na defesa das garantias constitucionais.
Até o momento, nem o Supremo Tribunal Federal nem o ministro Alexandre de Moraes se pronunciaram sobre as declarações feitas durante a audiência.