50 mil trabalhadores portuários entram em greve no Brasil

Nesta terça-feira (22), cerca de 50 mil trabalhadores portuários em diversas regiões do Brasil paralisaram suas atividades por 12 horas, afetando operações em portos estratégicos como Santos, Paranaguá, Suape e Rio de Janeiro. A greve é um protesto contra a proposta de revisão da Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), que está sendo discutida na Câmara dos Deputados.

Os sindicatos expressam preocupação de que as mudanças propostas possam precarizar as condições de trabalho no setor. Entre as principais críticas estão:

  • Extinção do adicional noturno e adicional de risco: Isso resultaria na perda de compensações financeiras para trabalhadores que atuam em horários noturnos e em condições perigosas, impactando sua renda.
  • Terceirização de atividades essenciais: A proposta permitiria a terceirização de funções como segurança e guarda portuária, atualmente exclusivas a trabalhadores vinculados a sindicatos, o que poderia levar a contratos mais precários.

A Justiça do Trabalho interveio em alguns estados para assegurar a manutenção de serviços essenciais durante a paralisação. Em São Paulo, por exemplo, foi determinado que 50% das operações permanecessem ativas, sob pena de multa de R$ 50 mil. No Paraná, a exigência foi de 60% das operações, com risco de multa de R$ 20 mil por dia em caso de descumprimento.

A greve ocorre em um momento de intensa movimentação econômica no setor portuário, com recentes aquisições significativas, como a da empresa suíça MSC, que comprou o grupo Wilson Sons por R$ 4,35 bilhões, e a da francesa CMA CGM, que adquiriu 48% do grupo Opportunity por R$ 6,33 bilhões. Além disso, o governo federal anunciou o leilão do terminal STS10 no Porto de Santos, que se tornará o maior terminal de contêineres do Brasil. A votação do texto final na Câmara está prevista para esta quarta-feira (23).

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Bruno Rigacci

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