Em carta, artistas pedem a Lula que rompa relações com Israel

Política Nacional

Uma carta conjunta assinada por 44 personalidades, incluindo artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil e Emicida, intelectuais, advogados e o político José Dirceu (PT), foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitando que o Brasil corte relações diplomáticas e comerciais com Israel. O motivo é a “carnificina insuportável” que ocorre na Faixa de Gaza.

A carta elogia o comportamento firme e coerente de Lula em solidariedade ao povo palestino e destaca que o Brasil tem apresentado propostas para o cessar-fogo na região e a solução de dois Estados, conforme resoluções internacionais. No entanto, os signatários argumentam que o governo Netanyahu vai além das gestões diplomáticas e impõe violência desumana e cruel contra civis.

Recentes ataques, como o ocorrido em um acampamento de deslocados em Rafah, no sul de Gaza, resultaram na morte de dezenas de inocentes, demonstrando um desprezo inaceitável à ética humanitária. Diante disso, a carta pede que o Brasil se una a outras nações que romperam relações com Israel, exigindo o cumprimento das decisões que visam pôr fim ao genocídio e garantir a autodeterminação do povo palestino.

Os signatários acreditam que uma medida como essa, liderada por alguém da envergadura de Lula, serviria de exemplo para outros governos e contribuiria para encerrar a tragédia na região .

Leia a íntegra do documento:
Carta aberta ao presidente Lula sobre o genocídio do povo palestino

Estimado presidente Lula,

Antes de mais nada, queremos saudá-lo por seu comportamento sempre firme e coerente em solidariedade ao povo palestino, denunciando reiteradamente o genocídio do qual é vítima, especialmente suas mulheres e crianças.

O Brasil tem apresentado seguidas propostas para o cessar-fogo na Faixa de Gaza e a solução de dois Estados estabelecida por resoluções internacionais. Graças ao seu governo, somos uma das nações que reconhecem, no âmbito das Nações Unidas, a soberania e a independência da Palestina.

No entanto, a crescente violência imposta pelo governo Netanyahu, com ataques desumanos e cruéis contra civis, obriga o mundo a ir além de gestos e propostas diplomáticas, como já debatem diversos países da União Europeia e outras regiões.

O governo Netanyahu viola abertamente deliberações emanadas da Corte Internacional de Justiça, colocando-se à margem do direito, além de desrespeitar o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU.

Recentes ataques contra um acampamento de deslocados em Rafah, no sul de Gaza, com dezenas de inocentes assassinados, demonstram claramente inaceitável desprezo à ética humanitária.

Estamos convencidos, querido presidente, que é hora de nosso país se juntar às demais nações que romperam relações diplomáticas e comerciais com o Estado de Israel, exigindo o cumprimento das decisões que colocam fim ao genocídio e garantem a autodeterminação do povo palestino.

Essas medidas, adotadas por nosso país e sob uma liderança de sua envergadura, certamente serviriam de exemplo a outros governos e constituiriam uma imensa contribuição para que se encerre essa carnificina insuportável.

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