Em jantar promovido por advogados do Grupo Prerrogativas neste domingo (26), em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu as doações feitas para o PT. Em seu discurso, o petista também voltou a falar sobre sua prisão na Operação Lava Jato. Segundo ele, muitos acreditavam que ele deixaria a prisão “rancoroso”, mas que, como está “apaixonado”, não tem tempo para ressentimentos.

Durante a menção ao seu vice, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que estava presente, Lula ressaltou a “parceria” com o ex-tucano e disse que não governaria o país, mas “cuidaria” do Brasil.

Lula chegou por volta das 20h, acompanhado da mulher, a socióloga Rosângela da Silva. Alckmin chegou minutos antes. Outros aliados, como o ex-ministro Aloizio Mercadante, o ex-presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-governador do Piauí, Wellington Dias, também participaram do jantar, pelo qual advogados chegaram a pagar até R$ 20 mil.

Os advogados do Prerrogativas têm evitado falar em evento de arrecadação, mas petistas admitiram, durante o jantar, que se tratava de um ato para prestigiar doadores.

– O PT, como faz em todas as eleições, busca formas alternativas de arrecadação e a lei permite, especialmente neste caso, para despesas partidárias da pré-campanha, a possibilidade de se colocar eventos como jantares, feijoadas ou a venda de bens, além de uma contribuição eletrônica, a chamada vaquinha eleitoral – afirmou Wellington Dias.

A tesoureira do PT, Gleide Andrade, agradeceu as doações e afirmou, em discurso, que haveria uma campanha para estimular doadores a “fazerem pix” para o partido.

– Haverá outras atividades como essa – disse, em referência ao jantar.

Lula discursou em seguida. Ressaltou a aliança com Alckmin, e falou em “normalizar o país”. Articulou ainda sobre o papel do Estado para recuperar investimentos sociais e em áreas como educação e saúde.

O jantar foi organizado pelo Grupo Prerrogativas, que reúne criminalistas que atuaram em processos da Operação Lava Jato. Advogados do coletivo manifestaram apoio ao petista para as eleições deste ano. Foi um jantar promovido por eles no restaurante Figueira Rubayat, em dezembro de 2021, que marcou a primeira aparição de Lula ao lado de Alckmin em meio à costura da aliança para a chapa presidencial.

Coordenador do Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que o evento serviu para lançar uma campanha de arrecadação para o partido.

– O Prerrogativas fará também eventos de arrecadação para a campanha quando houver a confirmação da candidatura.

Os aliados de Lula têm buscado doações ao partido ainda durante o período de pré-campanha para custear despesas com as movimentações em torno do ex-presidente.

Inicialmente, a ideia era promover um encontro também com empresários. No entanto, apenas advogados confirmaram, e o que era para ser um jantar com empresários dispostos a doar ao PT e, futuramente, à candidatura, acabou virando um gesto de agradecimento aos criminalistas que se alinharam ao partido.

Mesmo assim, já existem empresários na lista de doações ao partido durante a pré-campanha. Candido Koren de Lima, fundador da Hapvida, e três familiares, repassaram R$ 750 mil ao PT na condição de pessoas físicas. Parte dos advogados presentes ao evento fez doações de R$ 20 mil.

– Esse jantar é um jantar de agradecimento. O PT vai agradecer a advogados e profissionais liberais que estão fazendo essa campanha de arrecadação para o partido – afirmou o deputado Márcio Macedo (PT-SE), que será tesoureiro da campanha de Lula.

A assessoria do PT disse que “todas as contribuições para o Partido dos Trabalhadores são feitas com transparência, dentro da lei e declaradas à Justiça Eleitoral”.

Na última semana, o ex-presidente mais uma vez participou de um jantar na casa de José Seripieri Filho, o Junior, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde. Há uma semana, Claudio Haddad, do Insper, reuniu Lula com nomes como Sérgio Rial, do Banco Santander, Teresa Vendramini, da Sociedade Rural Brasileira, e Fábio Barbosa, da Natura.

*Com informações da AE

Fonte: Pleno News