Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se mobilizaram para buscar alternativas à proibição do uso da plataforma Telegram pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (18). A rede social é uma das principais usadas por de Bolsonaro – lá, seu principal canal tem cerca de 1,1 milhão de inscritos, um número muito superior aos quase 49 mil seguidores no perfil oficial do petista Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo.

Na plataforma, grupos podem ter até 200 mil usuários; canais de transmissão podem ter audiência ilimitada.

Apoiadores divulgavam, principalmente, formas de como usar uma rede virtual privada (VPN) ou de ter acesso a um proxy. Ambos têm a mesma finalidade: mascarar a origem de acesso de um internauta. Uma pessoa no Brasil pode simular que está usando a internet em outro país.

Na ordem de Moraes, pessoas naturais e jurídicas que usarem “subterfúgios tecnológicos” para continuarem a usar o Telegram estarão sujeitas a “sanções civis e criminais”, e multa diária de R$ 100.000.

A ação foi recomendada por influenciadores como o jornalista Allan dos Santos, que teve sua conta original bloqueada no Brasil em 26 de fevereiro. Quando banido, Allan dos Santos criou uma conta alternativa e informou que quem estava em outro país ou usava uma VPN conseguia ter acesso ao canal original.

O influenciador Bernardo Küster divulgou em seu canal com mais de 60 mil seguidores o uso de proxy como alternativa para o uso do Telegram. Ele postou duas possíveis alternativas de proxy, com endereços para Estados Unidos e outros países europeus.

– Nesse novo Brasil, aprenda a usar VPN e criar uma conta no Gettr e no Clouthub – escreveu Allan dos Santos às 16h06 desta sexta-feira em sua conta alternativa na rede, que ainda estava ativa e tinha cerca de 50 mil inscritos.

Poucos minutos depois, ele foi novamente banido da plataforma.

O Gettr se define como uma rede social que “rejeita a censura política e a ‘cultura do cancelamento’”. Ela tem o apoio direto de Bolsonaro, seus filhos e influenciadores, que estão presentes na plataforma. O Clouthub é uma outra rede para o qual grupos de direita migraram em massa.

Apoiadores de Bolsonaro nos grupos criticaram Alexandre de Moraes com xingamentos e alguns protestaram contra o que chamaram de inação do presidente sobre o tema.

Administradores de páginas em apoio a Bolsonaro criaram canais na rede social Discord para que os seguidores migrassem. O Discord é uma plataforma que permite que usuários se comuniquem por texto e por voz. Apenas membros dos grupos podem saber o conteúdo das mensagens.

*AE

Fonte: Pleno News