O roteiro da telenovela Nos Tempos do Imperador, da Rede Globo, prepara uma nova provocação indireta ao presidente Jair Bolsonaro. Ao retratar a primeira epidemia de cólera no Brasil, o folhetim usará um novo personagem, o vilão Louzada, para criticar a postura do chefe do Executivo em meio à pandemia da Covid-19. As informações são do portal Notícias da TV.

Até então, a novela de autoria de Thereza Falcão e Alessandro Marson vinha fazendo referências ao presidente brasileiro por meio do personagem Tonico (Alexandre Nero). Porém, com a ida do deputado para a Guerra do Paraguai (1964-1879), um novo vilão entrará em cena para fazer as alusões políticas.

Secretário de saúde, Louzada classificará a epidemia como uma “doençazinha”, e trabalhará para sabotar Pilar (Gabriela Medvedovski) na luta contra a enfermidade. A personagem será a primeira a identificar a doença e propor medidas como isolamento social e higienizar as mãos. Pilar também levará o caso até as autoridades sanitárias, mas não obterá apoio.

– Já disse que o presidente da junta não tem tempo para ouvir seus faniquitos por causa de uma doençazinha! – dirá Louzada.

Segundo o Notícias da TV, a narrativa também fará referência à saída de Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro da Saúde. Louzada pedirá à madre Zoé, interpretada por Flávia Guedes, para dispensar Pilar do cargo de chefe da enfermaria e colocará um aliado dentro da Ordem Terceira.

– O doutor Coutinho [ator não divulgado] vai assumir o controle do combate ao cólera. Ele é o novo chefe desta enfermaria. A senhoria está dispensada – dirá ele a Pilar.

ALUSÕES ANTERIORES
Nos Tempos do Imperador vem colecionando supostas provocações ao presidente e seus aliados. Em cena que irá ao ar no dia 4 de dezembro, o deputado Tonico simulará uma facada na barriga para evitar ser incriminado pelo sequestro de D. Pedro II, na Guerra do Paraguai, e sair da situação de forma heroica.

A encenação, porém, não convencerá o engenheiro Samuel (Michel Gomes), responsável por salvar Pedro II da tentativa de sequestro.

– Gente como ele é capaz de tudo. Ele pode, sim, ter matado o Joel para evitar que falasse e inventado essa facada – dirá Samuel.

A cena é considerada uma referência à teoria conspiratória de que o presidente teria fingido ter sido alvo de atentado para a própria candidatura presidencial, em 2018.

Em episódio exibido em setembro, Tonico também cita o versículo bíblico João 8:32, mencionado por Bolsonaro reiteradamente durante sua campanha. No folhetim, o deputado tentava colocar o embaixador da Inglaterra no Brasil, William Christie (Guilherme Weber), contra D. Pedro II, após o naufrágio de um navio inglês nas proximidades do país.

– Eu estou nesse caso com quem está com a razão. Tenho que reconhecer que a Inglaterra saiu prejudicada. Eu, se fosse o senhor, investigaria por conta própria. Só assim o senhor conhecerá a verdade. É como diz a Bíblia: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – declara Tonico.

Mesmo a fé da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, não escapou das provocações. Em cena no último dia 20, o personagem Quinzinho faz profecias sobre o fim do mundo e garante ter visto Jesus em uma jabuticabeira.

– Deus vai mandar uma onda gigante que vai invadir a terra e deixar tudo debaixo d’água! Só os escolhidos vão sobreviver (…) Sai daqui, filhote de Belzebu! Eles querem atrapalhar meu caminho. Sai, capeta! Eu vi o senhor Jesus, e ele estava em cima de uma jabuticabeira – disparou o personagem representado por Augusto Madeira.

Fonte: Pleno News