Deltan entra com notícia-crime, afirma que presidente do Unafisco está correto e diz que tem vergonha do STF

O ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, protagonizou mais um duro embate contra a cúpula do Judiciário brasileiro. Nesta sexta-feira (20), Deltan protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) mirando diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo? Fortes indícios de “abuso de autoridade” na condução das ações contra a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) e seu presidente, Kleber Cabral.

“Mais perigoso que investigar o PCC”

Em um desabafo contundente publicado em suas redes sociais, Dallagnol não poupou palavras para descrever o que considera uma perseguição implacável contra agentes do Estado que ousam cruzar o caminho de ministros da Suprema Corte. Para ilustrar o cenário de intimidação, o ex-procurador fez uma comparação estarrecedora: “É sim menos perigoso investigar o PCC do que o STF”.

Segundo Deltan, a prova disso está nos fatos. Ele questiona quantos auditores que investigam o crime organizado foram afastados de seus cargos, respondendo logo em seguida que nenhum. Por outro lado, “aqueles que chegam perto do STF são afastados e perseguidos, como Moraes mostrou com suas decisões de 2019 e 2026 e, agora, ao silenciar Kleber Cabral”.

A caixa-preta de 2019 e a “Revolução dos Bichos”

O ex-procurador relembrou o polêmico episódio em que auditores da Receita Federal foram barrados de continuar investigações sobre sonegação e lavagem de dinheiro que envolviam familiares dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Segundo Deltan, a Receita já havia provado que os critérios eram estritamente técnicos, mas a apuração foi sumariamente interrompida por ordem de Moraes.

“Agora nós sabemos aonde a investigação de Toffoli ia levar. Aonde será que a de Gilmar ia levar?”, provocou Dallagnol, escancarando a suspeita de que a paralisação serviu apenas para blindar figuras poderosas da República. Ele comparou a postura da Corte à obra A Revolução dos Bichos, onde “alguns são mais iguais do que outros”, acusando Moraes de fingir colocar os poderosos debaixo da lei enquanto impede que ele próprio e seus pares sejam questionados.

Vergonha do STF

A ofensiva de Deltan termina com uma declaração que ecoa a indignação perante os arroubos autoritários em Brasília. Reagindo ao que chamou de intimidação contra a imprensa, críticos e funcionários públicos, o ex-procurador foi categórico: “Tenho VERGONHA do STF brasileiro. Moraes, Toffoli e Gilmar ENVERGONHAM a toga e o Brasil”.

A denúncia agora está nas mãos da PGR, enquanto o país observa se haverá coragem institucional para dar andamento à apuração ou se o sistema acionará, mais uma vez, o seu mecanismo de autoproteção.

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Bruno Rigacci

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