Quando o silêncio vira posição no PL: A omissão da ala feminina diante da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
No cenário político atual do Partido Liberal (PL), o que não é dito pode ter tanto peso quanto o que é anunciado. Um movimento silencioso, mas evidente, tem chamado a atenção de observadores e da base conservadora: a reticência do PL Mulher e de sua presidente, Michelle Bolsonaro, em endossar publicamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O “Silêncio Ensurdecedor”
Há cerca de dois meses, Jair Bolsonaro indicou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como nome para a disputa presidencial. Desde então, enquanto o perfil nacional do PL já publicou mais de 40 menções ao senador — muitas delas ligando sua imagem à continuidade do legado do pai —, os canais oficiais do PL Mulher permanecem mudos sobre o assunto.
A ausência de manifestação não passou despercebida nem mesmo após a divulgação de pesquisas recentes que colocam Flávio em empate técnico com Lula (45% a 45%) em um eventual segundo turno. Para analistas, ignorar um dado de tal relevância política não é apenas neutralidade, mas uma forma de omissão que sinaliza divergências internas.
Disputa de Poder e Influência
O artigo aponta que essa postura pode não ser acidental. Em Santa Catarina, por exemplo, críticas da liderança local do PL Mulher a Carlos Bolsonaro são interpretadas como parte de uma estratégia para atingir o entorno de Jair Bolsonaro e esvaziar seu centro de poder.
A figura de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, surge como peça-chave nessa engrenagem. A atuação de Michelle à frente do PL Mulher — cargo que movimenta recursos expressivos e coordena filiações — é vista por críticos como tutelada por Valdemar. O dirigente, conhecido por seu pragmatismo político e histórico controverso (incluindo condenação no Mensalão), tem costurado alianças que muitas vezes desagradam a base ideológica, como a tentativa de aproximação com Ciro Gomes no Ceará.
Embora Michelle tenha criticado pontualmente tais alianças no passado, seu silêncio atual sobre a candidatura de Flávio e sobre perseguições a outros aliados (como Eduardo Bolsonaro) alimenta a teoria de que há um projeto de poder próprio em construção, operando sob a sombra e as diretrizes de Costa Neto.
A Reação da Base
Para a militância, o custo desse silêncio é alto. A base conservadora, que exige coerência e firmeza diante do avanço da esquerda e das pressões institucionais, começa a demonstrar frustração. O antigo mantra de seguir cegamente “o que Bolsonaro indicar” já não basta para justificar a falta de alinhamento em momentos decisivos.
A conclusão é que, na política, o silêncio é uma posição ativa. E, neste caso, a omissão do PL Mulher pode estar cobrando um preço na unidade da direita, trocando a combatividade esperada por uma conveniência estratégica que atende mais aos interesses da cúpula partidária do que aos anseios de seus eleitores.





