Nota de Fachin em defesa de Toffoli falha em conter ‘mal-estar’ interno sobre o Caso Master

A recente manifestação pública do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, saindo em defesa da atuação do ministro Dias Toffoli, não foi suficiente para apagar o incêndio que consome os bastidores da Corte. Embora a nota oficial tenha tentado passar uma imagem de normalidade e legalidade, fontes internas confirmam que o clima permanece pesado em relação aos desdobramentos do chamado “Caso Master”.

Segundo relatos reservados colhidos nos corredores do tribunal, a avaliação predominante entre os magistrados é pragmática: o posicionamento de Fachin cumpriu uma função imediata de “estancar a sangria” institucional, mas deixou expostas feridas e tensões que continuam a incomodar uma ala significativa do Supremo.

O Medo dos Holofotes

O maior ponto de fricção não é apenas jurídico, mas de imagem. Ministros demonstraram, em conversas privadas, irritação com a exposição constante e negativa que o STF tem sofrido na imprensa devido ao caso.

“A continuidade da cobertura midiática mantém o tribunal sob pressão permanente. Nenhuma nota oficial vai mudar isso enquanto o processo estiver aqui,” avaliou um ministro sob condição de anonimato.

A percepção é de que o caso é um “ativo tóxico” que contamina a reputação de todo o colegiado, arrastando a Corte para o centro de um debate sobre crimes financeiros e gestão temerária.

Saídas (Im)prováveis

Nos bastidores, discute-se quais seriam as alternativas para retirar o STF do foco do escândalo. Duas hipóteses circulam, embora com pouco otimismo:

  1. A saída de Dias Toffoli da relatoria: Cenário considerado improvável, dada a postura do ministro em manter o controle do processo.

  2. Envio para a primeira instância: Medida que encontraria resistências processuais e políticas.

Antes da divulgação da nota, houve uma “forte cobrança interna” para que Fachin agisse. A expectativa era de uma manifestação que, ao menos, simulasse unidade. A carta foi o resultado dessa pressão, mas está longe de representar um consenso real.

A Defesa de Fachin

Em sua nota, Edson Fachin tentou blindar a atuação de Toffoli, afirmando que “adversidades não suspendem o Direito” e reforçando a legitimidade das decisões monocráticas tomadas durante o recesso — período em que o vice-presidente, Alexandre de Moraes, também exerce funções de presidência.

Fachin destacou que a Corte atua na “regular supervisão judicial” e citou nominalmente Toffoli, validando seus atos frente às investigações que envolvem o sistema financeiro nacional. Contudo, ao afirmar que “eventuais vícios ou irregularidades (…) serão apreciadas pelo colegiado”, o presidente do STF deixou uma porta entreaberta para que o Plenário, futuramente, possa rever as decisões monocráticas que hoje causam tanta polêmica.

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Bruno Rigacci

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