Com “indireta”, Lula decide desafiar Trump
Durante o encerramento de um fórum empresarial em Paris nesta sexta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que “o mundo não quer xerife” e rejeitar a imposição de tarifas unilaterais que prejudiquem a harmonia do comércio internacional. A declaração ocorre em meio às discussões sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cuja assinatura Lula busca destravar com apoio europeu.
Lula afirmou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é uma demonstração para aqueles que tentam derrotar o multilateralismo e retornar ao protecionismo, destacando que o mundo não tem dono e que cada país é soberano para tomar suas próprias decisões econômicas. Ele enfatizou que o acordo é uma forma de mostrar que o mundo não aceita imposições unilaterais que possam quebrar a harmonia de uma economia global que vinha funcionando bem.
Essa fala é interpretada como uma resposta indireta às políticas econômicas adotadas por Donald Trump, que tem adotado uma postura mais protecionista e unilateral em relação ao comércio internacional. Lula tem defendido a importância do multilateralismo e da integração entre os países, especialmente em tempos de crescente protecionismo comercial.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que foi concluído em dezembro de 2024 após cerca de 25 anos de negociações, é considerado uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de pessoas e economias que, somadas, alcançam aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares. Lula destacou que o acordo é moderno e equilibrado, reconhecendo as credenciais ambientais do Mercosul e reforçando o compromisso com os Acordos de Paris. Ele também mencionou que as condições anteriores impostas pela União Europeia eram inaceitáveis e que foi necessário incorporar temas de alta relevância para o Mercosul, como compras governamentais e políticas públicas em áreas como saúde, agricultura familiar e ciência e tecnologia.
A busca por apoio europeu para a assinatura do acordo ocorre em um contexto de crescente tensão no comércio internacional, com políticas protecionistas ganhando força em várias partes do mundo. Lula tem enfatizado a importância da integração regional e da cooperação internacional como forma de enfrentar esses desafios e promover o desenvolvimento econômico sustentável.
A fala de Lula em Paris reflete sua postura em defesa do multilateralismo e da soberania dos países, ao mesmo tempo em que busca fortalecer as relações comerciais do Brasil com a União Europeia e outros parceiros internacionais.