Flávio lança forte nota de repúdio à fala de Lula sobre novo ataque dos EUA
Os recentes ataques coordenados por Estados Unidos e Israel contra instalações militares e nucleares no Irã não elevaram a tensão apenas no cenário internacional. No Brasil, o conflito rapidamente se tornou um novo combustível para a polarizada arena política. Após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a ofensiva, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma dura nota de repúdio, classificando a postura do chefe do Executivo como uma “vergonha diplomática”.
O episódio expõe, mais uma vez, o abismo entre a visão de política externa do atual governo e a defendida pela base conservadora.
1. A Posição do Governo: Crítica à Unilateralidade
Embora o Palácio do Planalto venha tentando equilibrar discursos para manter o Brasil como um ator neutro no chamado “Sul Global”, as falas do presidente Lula frequentemente atraem críticas contundentes da oposição. Ao comentar a ofensiva dos EUA e de Israel, a retórica governista focou na condenação do uso da força militar sem o aval do Conselho de Segurança da ONU e no risco de uma guerra total.
Para a oposição, no entanto, a fala do presidente soou como uma condenação desproporcional às democracias ocidentais, omitindo ou minimizando as ameaças representadas pelo avanço do programa nuclear e balístico de Teerã.
2. A Nota de Repúdio: “Alinhamento com Ditaduras”
Em resposta direta às falas do presidente, o senador Flávio Bolsonaro divulgou um documento incisivo nas redes sociais e nos canais de comunicação da oposição. Os principais pontos levantados pelo parlamentar foram:
Direito à Defesa: Flávio defendeu enfaticamente que Israel e os Estados Unidos têm o legítimo direito à defesa preventiva contra o que chamou de “um regime patrocinador do terrorismo global”.
Vergonha Internacional: O senador afirmou que a postura de Lula “envergonha os brasileiros perante o mundo livre” e prejudica relações comerciais e diplomáticas com parceiros históricos do Brasil.
Inversão de Valores: A nota acusa o governo petista de praticar uma “inversão de valores”, sendo rápido em criticar ações americanas e israelenses, mas leniente e compreensivo com regimes autoritários do Oriente Médio e de outras partes do globo.
3. O Reflexo da Polarização na Diplomacia
A troca de farpas entre o Planalto e figuras de proa da oposição como Flávio Bolsonaro demonstra como a diplomacia brasileira foi sugada para o centro do debate político-eleitoral.
Para a base conservadora, apoiar Israel e os EUA é defender os valores democráticos e cristãos contra o extremismo. Já para a diplomacia lulista, o objetivo é fortalecer a multipolaridade, alinhando-se frequentemente com parceiros do BRICS para tentar frear a hegemonia americana, mesmo que isso custe atritos com Washington e Tel Aviv.
Conclusão: O Brasil em um Tabuleiro Minado
O repúdio imediato e agressivo do senador às declarações do presidente reflete a dificuldade do Brasil em formular uma política de Estado coesa em tempos de crise global. Enquanto o mundo observa o desenrolar das explosões no Irã, o público interno assiste a um verdadeiro “cabo de guerra” retórico que, na prática, enfraquece a posição do país como um mediador confiável e unificado no cenário internacional.





