Alcolumbre vai frustrar o governo na questão envolvendo o “filho do rapaz”

As articulações nos bastidores do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam para um cenário desfavorável ao Palácio do Planalto na tentativa de blindar as investigações sobre os negócios da família presidencial. No centro do debate está a quebra de sigilo de Lulinha — frequentemente citado de forma velada em Brasília como o “filho do rapaz” —, uma medida que a base aliada tenta a todo custo frear.

O pivô dessa articulação é o senador Davi Alcolumbre (União-AP), que foi acionado pelo governo para atuar como um escudo no Legislativo. No entanto, o xadrez político atual sugere que as chances de sucesso dessa operação são mínimas.

1. A Pressão da Base e o Cálculo Político

A base governista depositou em Alcolumbre a esperança de utilizar manobras regimentais para barrar o avanço do escrutínio sobre a vida financeira do filho do presidente. A expectativa era de que o peso político do senador pudesse frear o ímpeto da oposição.

Contudo, Alcolumbre é conhecido por seu pragmatismo. Nos bastidores, a leitura é de que o senador sabe perfeitamente que qualquer esforço exagerado de sua parte esbarrará, inevitavelmente, no Supremo Tribunal Federal. A oposição já tem a estratégia traçada: caso o Senado tente engavetar ou anular a quebra de sigilo, o caso será judicializado imediatamente.

2. O Fator André Mendonça e a Fatura do Passado

O grande complicador para o governo e para Alcolumbre atende pelo nome de André Mendonça, ministro do STF. É amplamente esperado que a oposição direcione seus recursos judiciais à Corte, e as análises políticas não ignoram o passado recente entre o ministro e o senador.

  • A Sabatina Travada: Durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Mendonça foi indicado ao STF, Alcolumbre — então presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) — protagonizou um dos maiores embargos da história recente do Senado. Ele segurou a sabatina do indicado por quase cinco meses, impondo um severo desgaste público e institucional a Mendonça antes de finalmente liberar a votação.

  • Sem Boa Vontade: Embora André Mendonça adote uma postura técnica, discreta e fundamentada em princípios garantistas, é consenso em Brasília que não há qualquer simpatia mútua entre ele e Alcolumbre. Se a oposição acionar o STF contra uma blindagem promovida pelo senador, é altamente improvável que o ministro do Supremo atue para salvar a manobra governista.

3. O Desfecho Inevitável: O Sigilo Quebrado

Diante dessa encruzilhada, a frustração do governo parece apenas uma questão de tempo. Consciente de que um embate com o STF neste contexto seria uma batalha perdida, Davi Alcolumbre deve adotar uma saída estratégica:

  1. Omissão Calculada: Ele pode simplesmente não se esforçar para barrar a medida, permitindo que a oposição avance;

  2. Sinalização de Fidelidade: Ou, se decidir atuar contra a quebra de sigilo, o fará apenas “para inglês ver”, sinalizando ao governo que tentou proteger o “filho do rapaz”, mas repassando o ônus da derrota inevitável ao Judiciário.

Conclusão: Exposição à Vista

Em qualquer um dos cenários, a conclusão dos analistas políticos é unânime: o governo será frustrado. O sigilo será quebrado, e a vida financeira de Lulinha será minuciosamente esmiuçada pelos investigadores e exposta à opinião pública. Para o Planalto, resta preparar a equipe de controle de danos para enfrentar o desgaste midiático e jurídico que está por vir.

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Bruno Rigacci

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