André Mendonça diz “sim” para viagem de Vorcaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou o deslocamento do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para Brasília. A decisão atende a um pedido da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que agendou a oitiva para o dia 10 de março, às 11h.

Apesar do “sim” para a viagem, Mendonça impôs regras rígidas e manteve o entendimento de que o comparecimento do banqueiro é totalmente facultativo. Para que a viagem ocorra, Vorcaro precisará manifestar formalmente e de maneira inequívoca o seu desejo de depor aos parlamentares.

Regras Restritas para o Deslocamento

Caso decida quebrar o silêncio, a logística imposta pelo STF não dará margem para luxos ou desvios de rota:

  • Sem Jatinho: O ministro vetou expressamente o uso de aeronave particular por parte do empresário.

  • Transporte Controlado: O transporte deverá ser feito exclusivamente em um voo comercial de carreira ou em uma aeronave da própria Polícia Federal (PF).

  • Escolta Contínua: Durante todo o trajeto, Vorcaro estará sob escolta e vigilância contínua dos agentes federais.

Esse forte esquema de segurança ocorre porque o dono do Banco Master cumpre medidas cautelares rigorosas desde que foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP), no fim de novembro do ano passado, ao tentar embarcar para o exterior no âmbito da Operação Compliance Zero. Atualmente, ele é monitorado por tornozeleira eletrônica, tem recolhimento domiciliar noturno obrigatório e é proibido de deixar sua comarca ou manter contato com outros investigados.

O Cenário de Tensão em Brasília

A oitiva na CAE e as convocações na CPMI do INSS buscam esclarecer um complexo esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master. As investigações da PF miram indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e operações estruturadas que podem ultrapassar a impressionante marca de R$ 17 bilhões em fraudes.

Vale lembrar que André Mendonça assumiu recentemente a relatoria do inquérito após o caso passar por uma ruidosa mudança de mãos. O ministro Dias Toffoli precisou se afastar em meio a um forte desgaste institucional, após vir à tona que ele é sócio de um resort que recebeu investimentos de fundos de investimento ligados ao cunhado e apontado como operador financeiro de Vorcaro.

Agora, a decisão final está com Vorcaro. Nos bastidores políticos, há um enorme temor de que o depoimento do banqueiro provoque um efeito dominó, dadas as suspeitas de relações financeiras com diversos nomes fortes do Congresso Nacional.

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Bruno Rigacci

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