CPI do Crime Organizado aprova convocação de irmãos de Dias Toffoli e quebra de sigilo de empresa

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (25 de fevereiro de 2026), uma série de requerimentos que ampliam o escopo das investigações sobre a possível infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro. Entre as medidas de maior repercussão institucional estão a convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a quebra de sigilos ligados a negócios da família.

As Convocações e Quebras de Sigilo

Os pedidos aprovados foram articulados pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). As principais decisões do colegiado incluem:

  • Convocação de Familiares: José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli foram formalmente convocados a prestar depoimento. Diferente de um convite, a convocação parlamentar torna o comparecimento obrigatório.

  • Quebra de Sigilo: A CPI autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações (empresa administrada pelos irmãos e da qual o ministro já admitiu fazer parte do quadro societário), abrangendo o período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026. A comissão também solicitou relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

  • Executivos Financeiros: Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também teve sua convocação e quebra de sigilos aprovadas pelos parlamentares.

O Foco da Investigação

As apurações da CPI buscam rastrear transações financeiras e o suposto uso de estruturas societárias complexas na lavagem de capitais. O foco que interliga os convocados é a negociação envolvendo participações no resort Tayayá, no Paraná.

Segundo o requerimento do relator, a empresa ligada à família Toffoli teria vendido sua cota no empreendimento para fundos de investimento conectados a operadores do Banco Master. A comissão agora investiga a natureza desses repasses e quer esclarecer se houve alguma tentativa de tráfico de influência ou proteção de interesses do banco, que possui litígios de alto valor tramitando nos tribunais superiores de Brasília.

Convites a Ministros do STF

Além das convocações obrigatórias e quebras de sigilo, a CPI aprovou “convites” (cuja presença é opcional) para os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, bem como para a advogada Viviane Barci de Moraes.

Durante a sessão, o senador Alessandro Vieira ressaltou que a aprovação das oitivas não representa um juízo antecipado de culpa. Segundo ele, as convocações e quebras de dados são necessárias porque “o crime organizado só prospera com infiltração no mercado financeiro”.

A aprovação unânime do pacote de requerimentos evidencia o clima de tensão institucional e promete transformar as próximas sessões da CPI no principal palco de disputas políticas e jurídicas do Congresso Nacional.

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Bruno Rigacci

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