Atuação técnica de Paulo Gonet no STF frustra oposição que cobra embates políticos
Desde que assumiu a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet tem adotado um perfil institucional estritamente técnico, distanciando-se de embates públicos e midiáticos com o Supremo Tribunal Federal (STF). Quando a PGR decide recorrer ou contestar decisões de ministros da Suprema Corte, as argumentações apresentadas baseiam-se quase exclusivamente em ritos processuais, frustrando alas políticas que aguardam enfrentamentos ideológicos.
O Descompasso de Expectativas
A manchete em questão reflete um sentimento de insatisfação recorrente entre parlamentares e veículos de comunicação alinhados à direita. Diante de decisões polêmicas do STF — envolvendo os inquéritos das “milícias digitais”, bloqueio de perfis em redes sociais e as prisões do 8 de janeiro —, a oposição espera que o chefe do Ministério Público atue como um contrapeso direto, denunciando o que consideram abusos de autoridade.
Entretanto, quando Gonet se “insurge” (ou seja, quando entra com recursos jurídicos) contra o STF, suas motivações seguem uma linha conservadora no sentido legal:
Foco processual: Os recursos da PGR geralmente questionam a competência do foro (se a decisão deve ser do plenário ou monocrática), a validade da coleta de certas provas ou a dosimetria de penas, sem entrar no mérito político.
Linguagem contida: Os pareceres evitam adjetivos inflamados, acusações de ativismo judicial ou endossos a narrativas de perseguição política.
O “Motivo Inacreditável” sob a Ótica da Oposição
Para a base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro e para a mídia de oposição, soa “inacreditável” ou decepcionante que o Procurador-Geral recorra de decisões do STF motivado apenas por detalhes técnicos e burocráticos, ignorando o debate sobre liberdade de expressão ou violação do sistema acusatório. Essa postura focada apenas nos autos processuais é frequentemente interpretada por esses setores como omissão ou conivência com o atual protagonismo da Corte.
Resgate da Estabilidade Institucional
No meio jurídico tradicional e entre aliados do governo, por outro lado, a conduta de Gonet é avaliada como um retorno à normalidade. A avaliação é que o procurador-geral busca despolitizar a instituição, entendendo que o papel da PGR é atuar como fiscal da lei dentro dos limites estritos do processo, sem alimentar crises institucionais ou atuar como braço de oposição política.





