Impasses no Senado: Parlamentares articulam manobras regimentais diante de atritos com Davi Alcolumbre
O cenário político no Senado Federal tem sido marcado por crescentes tensões entre grupos de parlamentares e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Diante de impasses na tramitação de pautas e indicações importantes, senadores têm recorrido a estratégias regimentais para contornar a influência do parlamentar, que enfrenta um período de desgaste político em meio a controvérsias e investigações.
O “Drible” Regimental
A insatisfação de parte do Senado com o ritmo imposto por Alcolumbre — especialmente quando no comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde historicamente concentrou grande poder de pauta — levou senadores a buscarem vias alternativas. A principal manobra consiste em articular requerimentos de urgência para levar projetos de lei e indicações de autoridades diretamente ao plenário principal.
Essa articulação, descrita nos bastidores como um “drible”, visa evitar que matérias prioritárias para o governo ou para frentes parlamentares fiquem travadas nas comissões sob a influência de Alcolumbre e seus aliados.
Desgaste Político e Controvérsias
A perda de força relativa do senador ocorre em um momento de vulnerabilidade política. Nos últimos anos, Alcolumbre acumulou desgastes que fragilizaram sua base de apoio:
Atrasos em Sabatinas: O uso político do calendário da CCJ para atrasar sabatinas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras autoridades gerou irritação tanto no Executivo quanto no Judiciário.
Investigações Administrativas: O senador também precisou lidar com a repercussão de denúncias envolvendo a suposta prática de “rachadinha” (desvio de salários de assessores) em seu gabinete, além de questionamentos sobre o direcionamento de verbas do orçamento secreto durante sua gestão como presidente da Casa.
Impacto na Agenda Legislativa
A fragmentação da base de apoio de Alcolumbre e a articulação independente dos senadores reconfiguram o xadrez político em Brasília. Lideranças de diferentes partidos têm aproveitado a fragilidade do senador amapaense para avançar com agendas próprias, reduzindo a dependência de sua intermediação nas negociações com o Palácio do Planalto.
Para analistas políticos, o movimento demonstra uma tentativa do Senado de descentralizar o poder das comissões principais e garantir que as crises individuais de lideranças não paralisem a engrenagem legislativa do país.





