Lula e Janja usam trajes tradicionais na Coreia do Sul e dividem opiniões na internet
Durante a visita oficial do governo brasileiro à Coreia do Sul no final de fevereiro de 2026, a escolha de vestuário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama, Janja Lula da Silva, para um banquete de Estado tornou-se o centro de um intenso debate nas redes sociais e na imprensa brasileira.
O evento e os trajes
No jantar oferecido pelo presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e pela primeira-dama, Kim Hea Kyung, Janja optou por vestir um hanbok, o traje tradicional da Coreia do Sul. A peça, historicamente associada a cerimônias formais e de grande importância estética para os coreanos, havia sido presenteada a ela semanas antes pela Associação Brasileira dos Coreanos, em São Paulo. O presidente Lula, por sua vez, compareceu ao evento usando um sobretudo escuro e um chapéu preto.
A perspectiva diplomática
Do ponto de vista diplomático, a adoção de elementos culturais do país anfitrião é uma prática relativamente comum entre chefes de Estado, vista como um gesto de cortesia, respeito e aproximação (prática muitas vezes chamada de fashion diplomacy). Durante a recepção, a primeira-dama sul-coreana elogiou publicamente o traje de Janja, afirmando que ela estava linda, enquanto o encontro focava na elevação das relações entre Brasil e Coreia do Sul ao patamar de Parceria Estratégica.
As críticas e a repercussão política
Apesar do aceno cultural, as imagens do casal presidencial geraram reações fortemente polarizadas no Brasil. Setores da oposição e veículos de mídia com linha editorial crítica ao governo descreveram a cena em tom de reprovação.
Termos como “show de horrores” e alegações de que o casal estaria “fantasiado” ganharam tração rápida nas redes sociais e em portais de notícias alinhados à direita. Para os críticos, as imagens serviram de munição para questionar não apenas a estética e a postura do casal no exterior, mas também os gastos públicos envolvidos na viagem oficial. A oposição destacou o fato de a primeira-dama ter viajado para Seul dias antes do presidente para cumprir agendas próprias, apontando os custos de hospedagem em hotéis de luxo na capital sul-coreana.
O episódio ilustra como ações rotineiras de diplomacia cultural podem ser rapidamente absorvidas pelas disputas políticas internas, transformando um banquete de Estado na Ásia em mais um capítulo da forte polarização política nacional.





