O governo financiou e organizou a propaganda eleitoral feita pela escola rebaixada
A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que protagonizou um verdadeiro vexame na Marquês de Sapucaí e acabou rebaixada com a menor nota do Grupo Especial, não fez sua homenagem a Lula de graça. Levantamentos apontam que a agremiação foi irrigada com generosos R$ 9,6 milhões em recursos públicos para colocar na avenida o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O dinheiro fluiu de diversas fontes governamentais: Prefeitura de Niterói, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Embratur e Riotur. O repasse mais vultoso saiu dos cofres da prefeitura de Niterói, comandada por Rodrigo Neves (PDT), que destinou R$ 4 milhões. A Embratur, presidida pelo petista Marcelo Freixo (PT), injetou mais R$ 1 milhão. O governo estadual e a Riotur completaram a conta milionária.
Mas a relação não foi apenas financeira, foi também de bastidores e organização. Registros oficiais expõem uma articulação direta dentro do Palácio do Planalto. O presidente da escola, Wallace Palhares, esteve em Brasília nos dias 16 e 2 de outubro de 2025 para reuniões no 4º andar do Palácio, onde despacha a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Nos encontros, estavam presentes figurões petistas como o deputado federal Lindbergh Faria (PT-RJ) e André Ceciliano, o homem-forte das negociações de emendas do governo. A primeira-dama, Janja da Silva, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também não esconderam o envolvimento, chegando a visitar a quadra da escola no Rio de Janeiro e posando para fotos fazendo o “L”.
Apesar dos milhões injetados e do peso da máquina estatal nos bastidores, a tentativa de transformar o desfile em um “comício de Carnaval” naufragou miseravelmente. Com míseros 264,6 pontos, a Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação, deixando a elite do carnaval carioca envolta em denúncias de desperdício de dinheiro público para promoção política escancarada.





