Efeito bumerangue: como a direita está transformando provocações em capital político

O cenário político e cultural de 2026 tem sido marcado por um fenômeno revelador: o chamado “efeito bumerangue”. De acordo com uma análise recente do coronel Henrique Alves da Rocha, investidas criadas para ridicularizar o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores estão surtindo exatamente o efeito inverso, fortalecendo a base que se pretendia enfraquecer.

O primeiro grande exemplo desse movimento envolveu o comediante Murilo Couto. Após ser seguido por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, o humorista recorreu à inteligência artificial para criar a música “Meu Amigo Flávio”, com o claro intuito de deboche. O resultado, no entanto, fugiu totalmente do controle do autor. A canção viralizou e foi rapidamente adotada pelos apoiadores do senador, transformando-se em um verdadeiro “jingle” informal. A ironia virou propaganda política gratuita.

O vexame na Sapucaí e o orgulho conservador

O segundo episódio de grande repercussão ocorreu no Carnaval carioca, com o desfile da Acadêmicos de Niterói. A pretexto de homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escola levou para a avenida ataques diretos não apenas a Bolsonaro, mas aos valores das famílias cristãs. Uma das alas, de forma pejorativa, apresentou componentes dentro de latas com os dizeres “família em conserva”.

A resposta popular não perdoou. Milhões de brasileiros tomaram as redes sociais em um movimento massivo, publicando fotos de suas próprias famílias “dentro de latas” e demonstrando orgulho de seus princípios conservadores. O deboche que deveria humilhar acabou gerando uma onda gigante de engajamento e reafirmação de identidade.

O desfecho das duas situações ilustra o fracasso das provocações: a música virou hit da direita e a escola de samba lulista amargou a última colocação, terminando rebaixada pelos jurados. O recado, segundo o artigo, é claro: a direita tem demonstrado uma forte habilidade para converter ataques e hostilidades em união e capital político.

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Bruno Rigacci

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