Vaza a avaliação do Palácio do Planalto sobre o desfile em homenagem a Lula: “Catastrófico”

O que era para ser uma homenagem festiva transformou-se em uma crise política de proporções ainda incalculáveis para o governo. O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo ligado à esquerda, acabou gerando um efeito rebote imediato no Palácio do Planalto.

Segundo informações de bastidores que vazaram nesta quarta-feira (18), o clima em Brasília é de total apreensão. Eleitoralmente, o episódio é tratado como um “tiro no pé”.

A “Lata de Conservas” e a ira dos Evangélicos

O ponto central da discórdia foi uma ala específica que representou a chamada “família tradicional” dentro de uma lata de conservas. A alegoria, que pretendia ser uma crítica social, foi recebida como um escárnio direto aos valores conservadores e cristãos, justamente num momento em que o governo Lula tentava, a duras penas, reconstruir pontes com o eleitorado evangélico.

Segundo nota publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a avaliação interna do governo é unânime: o resultado foi “catastrófico”.

“Todas as pesquisas e trackings que o Palácio do Planalto teve acesso apontam numa só direção: foi catastrófico para Lula o desfile da Acadêmicos de Niterói”, diz o texto.

“Trabalho jogado fora”

Dentro do governo, o sentimento é de frustração. Um líder petista, sob condição de anonimato, desabafou: “Todo um trabalho de aproximação com os evangélicos foi jogado fora”.

A tentativa de desvincular a imagem do presidente da concepção artística da escola começou imediatamente. Ministros correm para afirmar que o governo “não teve qualquer interferência” no desfile, mas o estrago na opinião pública já está feito. A oposição, liderada por figuras como o deputado Nikolas Ferreira, já capitaliza sobre o erro estratégico, reforçando a narrativa de perseguição religiosa e desrespeito aos valores da família.

PT tenta apagar o incêndio

O presidente do PT, Edinho Silva, foi escalado para tentar baixar a temperatura da crise. Em declaração, ele buscou reforçar a autonomia da agremiação, tentando blindar Lula:

“A Acadêmicos de Niterói teve e tem autonomia para definir seu enredo e suas alegorias. Tentar utilizar uma construção da escola para atacar o presidente Lula chega a ser ridículo; todos sabem do respeito que ele tem pela comunidade evangélica e pelas suas lideranças”, afirmou Edinho.

No entanto, a justificativa parece não colar. Para analistas e para a própria base aliada, a malandragem, quando é muito grande, acaba engolindo o malandro. O episódio reforça a desconexão do partido com uma parcela significativa da população brasileira, transformando o Carnaval de 2026 em um pesadelo político para o Planalto.

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Bruno Rigacci

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