OPERAÇÃO SUSPEITA: Lewandowski pagou o dobro em mansão e um mês depois teve o imóvel bloqueado pela Justiça
Uma negociação imobiliária envolvendo o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, acaba de colocar a pasta sob forte escrutínio público. Segundo revelações recentes, Lewandowski adquiriu uma mansão em um condomínio de luxo na zona sul de São Paulo por R$ 9,4 milhões — valor mais de duas vezes superior ao que o imóvel havia custado meses antes aos antigos proprietários. Para agravar o cenário, a residência foi alvo de bloqueio judicial apenas um mês após a compra.
O Negócio “Da China”
A compra foi realizada em março de 2024. O vendedor do imóvel é Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, um empresário que entrou na mira da Polícia Federal (PF) sob acusações gravíssimas: liderar um esquema de sonegação fiscal bilionária no setor de combustíveis e possuir supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O detalhe que chama a atenção dos investigadores é a rápida valorização do bem. A esposa de Yang havia adquirido a casa por cerca de R$ 4 milhões pouco tempo antes de revendê-la a Lewandowski por R$ 9,4 milhões. A transação foi feita através da Eryal, uma empresa patrimonial familiar que o ministro mantinha em sociedade com seus filhos (e da qual se desligou formalmente em dezembro de 2024, doando as cotas aos herdeiros mas mantendo o usufruto).
Bloqueio Relâmpago
Apenas 30 dias após Lewandowski fechar o negócio e pagar a quantia milionária, a Justiça determinou o sequestro do imóvel. A decisão faz parte das medidas assecuratórias contra o patrimônio de Yang, visando garantir o ressarcimento aos cofres públicos pelas supostas fraudes fiscais.
Na prática, a situação gerou um imbróglio jurídico inusitado: o homem forte da segurança pública do país vive (ou tem posse de) um imóvel que está judicialmente constrito por crimes que sua própria pasta (via PF) combate.
O Outro Lado
Em nota à imprensa, a assessoria do ministro Ricardo Lewandowski defendeu a legalidade da operação. O ministro alega ter agido em “absoluta boa-fé”, afirmando que, no momento da escritura, todas as certidões negativas foram apresentadas e o imóvel encontrava-se livre e desembaraçado de ônus.
Lewandowski também sustenta que o valor pago (R$ 9,4 milhões) condiz com o preço de mercado para propriedades de alto padrão naquela região de São Paulo, rechaçando qualquer irregularidade na variação de preço em curto período. Ele afirma ainda que não possuía qualquer relação pessoal anterior com os vendedores.
A oposição, no entanto, já se movimenta no Congresso para pedir esclarecimentos sobre a origem dos recursos e a natureza da transação com um alvo prioritário da Polícia Federal.





