Mais um órgão de previdência é alvo da PF por “investimentos” no Master, desta vez de estado pequeno e pobre

A Polícia Federal (PF) lançou na manhã desta sexta-feira (6) a “Operação Zona Cinzenta”, que visa investigar supostas irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá. A ação concentra-se em investimentos que rondam os 400 milhões de reais, realizados pela Amapá Previdência (Amprev) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Agentes federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão na cidade de Macapá, expedidos pela 4.ª Vara Federal do Amapá. As diligências têm como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrónicos e outros materiais que auxiliem a esclarecer o processo de aprovação e execução destas aplicações financeiras.

Os alvos da operação incluem o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Lemos, e dois membros do comité de investimentos, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves. A investigação aponta que as decisões favoráveis aos aportes no Banco Master foram tomadas durante três reuniões do comité realizadas em julho de 2024, com o voto favorável dos três citados.

O inquérito, conduzido em parceria com o Ministério Público, investiga se a autarquia recebeu avisos formais sobre os riscos destas operações e se pareceres técnicos contrários foram ignorados. Estão a ser analisadas práticas de gestão temerária ou fraudulenta, dado que os investimentos são considerados de alto risco e incompatíveis com a natureza previdenciária dos fundos.

Esta operação marca o segundo caso de previdência estadual investigado pela PF por ligações ao Banco Master num curto espaço de tempo. Recentemente, na passada terça-feira, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi detido no âmbito da “Operação Barco de Papel”, que investiga transações semelhantes. O caso da Amprev corre na primeira instância da Justiça Federal do Amapá.

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Bruno Rigacci

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