Malafaia dobra a aposta em resposta ao STF
Quem esperava um recuo estratégico do pastor Silas Malafaia após a recente investida da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF), enganou-se redondamente. Em uma demonstração clara de que não pretende baixar o tom, Malafaia “dobrou a aposta” em sua defesa apresentada à Corte nesta quinta-feira (29).
O caso envolve uma denúncia da PGR, acolhida pelo ministro Alexandre de Moraes, que acusa o pastor de calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva, e outros membros do Alto Comando. Moraes havia dado um prazo de 15 dias para que o líder religioso explicasse suas declarações.
“Não tenho foro no STF”
Em vez de apresentar um pedido de desculpas ou tentar justificar o teor de suas falas, a defesa de Malafaia partiu para o ataque processual, desafiando a própria autoridade do STF para julgar o caso. O argumento é simples e direto: Malafaia é um cidadão comum, sem mandato eletivo, e, portanto, não possui foro privilegiado.
“O argumento é que Moraes preside o inquérito das fake news e das milícias digitais, mas o que isso tem a ver com a minha opinião em uma manifestação pública? Absolutamente nada. Isso é uma maneira covarde de produzir puríssima perseguição política”, disparou o pastor.
Críticas mantidas
A polêmica gira em torno de falas proferidas por Malafaia, onde ele chamou os generais de “cambada de frouxos”, “covardes” e “omissos” por permitirem a prisão de militares conservadores, como o general Braga Netto. Ao pedir que o STF rejeite a denúncia, Malafaia sustenta que suas críticas foram genéricas e estão amparadas pela liberdade de expressão e crença religiosa, não citando nominalmente o comandante Tomás Paiva na ocasião.
Ao questionar a competência de Moraes e classificar o inquérito como “ilegal” e “imoral”, Malafaia sinaliza para sua base que continuará sendo a voz que não se cala diante do “consórcio” que domina Brasília. Resta saber se o STF aceitará o desafio ou se prosseguirá com o que a defesa classifica como um atropelo jurídico.




