Mendonça é implacável: Supremo mantém “Careca do INSS” atrás das grades

O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (27) manter a prisão preventiva do empresário António Carlos Camilo Antunes, conhecido pela alcunha de “Careca do INSS”. A decisão representa um duro golpe para a defesa do lobista, que se encontra detido desde setembro de 2025 no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

Mendonça, que é o relator do inquérito que investiga a “Máfia dos Consignados”, alinhou-se ao parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O Ministro fundamentou a sua decisão na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal, sublinhando o risco real de reiteração delituosa e de interferência nas investigações caso o acusado fosse posto em liberdade.

O Esquema “Sem Desconto”

Antunes é acusado de ser a peça central de uma complexa organização criminosa desmantelada pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal. As investigações apontam que o grupo utilizava associações de fachada para realizar descontos indevidos diretamente nas folhas de pagamento de milhares de reformados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a Polícia Federal, o esquema terá gerado prejuízos estimados em mais de 6,3 mil milhões de reais (cerca de 1 mil milhões de euros) entre 2019 e 2024. O empresário é suspeito de branqueamento de capitais e de operacionalizar os desvios através de “acordos de cooperação técnica” fraudulentos com a autarquia previdenciária.

Rigor Diferenciado

A decisão de Mendonça destaca-se pelo rigor, especialmente quando comparada à decisão proferida poucos dias antes no mesmo processo. Na semana passada, o mesmo ministro converteu a prisão de Sílvio Feitoza, apontado como o “diretor financeiro” do esquema, em prisão domiciliária. No entanto, no caso de Feitoza, a medida foi justificada por graves questões de saúde cardíaca, uma atenuante que Mendonça considerou não se aplicar ao “Careca do INSS”.

Na sua decisão, Mendonça frisou que a liderança exercida por Antunes na organização criminosa e a sua capacidade financeira para, em tese, obstruir a justiça ou fugir, exigem a manutenção da medida cautelar mais gravosa.

O caso corre em segredo de justiça no STF, enquanto a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado continua a analisar as ramificações políticas e financeiras deste que já é considerado um dos maiores escândalos previdenciários da história recente do Brasil.

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Bruno Rigacci

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