“Política não se faz com gritos”: Articulação de Tarcísio e Michelle garante transferência de Bolsonaro e expõe racha na direita

A recente transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da PM, a chamada “Papudinha”, é apontada por analistas e aliados pragmáticos como a prova definitiva de que a “articulação silenciosa” supera o barulho das redes sociais.

Enquanto parte da militância digital gasta energia atacando seus próprios aliados, figuras centrais como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro operaram nos bastidores para garantir a integridade física do ex-mandatário.

Governador, não “Influencer”

Uma parcela da direita tem criticado Tarcísio de Freitas por não adotar uma postura de confronto aberto contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação de quem conhece a política de Brasília, no entanto, é que essas críticas partem de um erro primário de julgamento.

Diferente de influenciadores digitais que vivem de engajamento, Tarcísio atua como chefe de Estado. Segundo interlocutores, o governador agiu com precisão:

  • Fatos, não ideologia: Nas conversas com ministros, Tarcísio não debateu teses jurídicas, mas apresentou a questão sob a ótica humanitária.

  • Risco de vida: Ele enfatizou a vulnerabilidade clínica de Bolsonaro, especialmente após a queda sofrida no cárcere, argumentando que a manutenção dele na PF representava risco real.

Se Tarcísio tivesse “queimado as pontes” para satisfazer a militância radical, não teria o canal de diálogo necessário para interceder pela saúde de seu mentor político.

Michelle e a “Sensibilidade Estratégica”

Da mesma forma, Michelle Bolsonaro enfrentou fogo amigo ao se reunir com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF. Acusada por alas radicais de “conspiração”, a ex-primeira-dama exerceu, na prática, o papel de liderança familiar.

O diagnóstico era claro: as condições na cela da PF — com isolamento total, luz artificial constante e barulho de ar-condicionado — configuravam tortura psicológica e física para um homem da idade de Bolsonaro. A transferência para a “Papudinha”, onde terá acesso a banho de sol e fisioterapia, é vista como uma vitória crucial rumo ao objetivo final: a prisão domiciliar.

Divisão interna favorece o “Sistema”

A análise do cenário aponta que a “briguinha de ego” dentro da direita é o maior trunfo dos adversários de Bolsonaro. O ataque coordenado a quadros técnicos como Tarcísio e Michelle é classificado como “burrice estratégica”.

“O inimigo é o sistema que injustiçou o ex-presidente com uma condenação de 27 anos que soa como piada de mau gosto, não o governador que tenta salvá-lo. Bater em quem está negociando é dar um presente para quem quer ver Bolsonaro se acabando em uma cela”, avalia um aliado próximo à família.

A mensagem final é de que a política é a “arte do possível”. Enquanto a liberdade plena não é alcançada, os avanços obtidos pela diplomacia de Tarcísio e Michelle garantem, ao menos, dignidade e sobrevivência ao ex-presidente.

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Bruno Rigacci

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