Toffoli acusa PF de ‘inércia’ e diz que atraso em operação contra Banco Master pode ter destruído provas

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas à atuação da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e outros suspeitos. Em despacho proferido nesta semana, o magistrado afirmou que a corporação descumpriu uma ordem expressa da Corte e agiu com “inércia”, colocando em risco a eficácia das apurações.

Segundo Toffoli, a autorização para as medidas cautelares foi expedida no dia 12 de janeiro (segunda-feira), com a determinação clara de que a operação fosse deflagrada em até 24 horas. O prazo, contudo, foi ignorado pela autoridade policial.

Risco de Destruição de Provas

O principal ponto de tensão levantado pelo ministro é a possibilidade de que o atraso tenha permitido aos investigados ocultar ou destruir evidências. Para Toffoli, a demora injustificada levanta dúvidas sobre o compromisso da corporação com o caso.

“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido (…), posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”, escreveu o ministro.

Ele destacou ainda que a PF teve “vários dias para planejamento e preparação”, o que torna o atraso ainda mais injustificável e passível de resultar na “ineficácia das providências ordenadas”.

Responsabilidade Exclusiva da PF

Em tom severo, o despacho atribui qualquer eventual fracasso da operação exclusivamente à conduta da Polícia Federal. O ministro enfatizou que a legalidade das buscas estava amparada na gravidade concreta dos crimes e na contemporaneidade dos fatos, não havendo motivo para a hesitação.

“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal (…) e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, sentenciou Toffoli.

Diante do cenário, o ministro exigiu que a PF preste esclarecimentos formais imediatos sobre os motivos que levaram ao descumprimento da ordem judicial de deflagração imediata da operação.

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Bruno Rigacci

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