Reviravolta no STF: Toffoli recua, libera material da Operação Compliance, mas transfere custódia para a PGR
Em um movimento surpreendente que adiciona mais uma camada de complexidade aos bastidores da Operação Compliance Zero, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou de ideia. Após determinar inicialmente que todo o farto material apreendido pela Polícia Federal na segunda fase da investigação ficasse “lacrado” e “acautelado” na sede da Corte, o magistrado emitiu uma nova ordem transferindo a custódia para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Nova Determinação
A decisão reverte a blindagem total das provas dentro do Supremo e autoriza o início dos trabalhos periciais, mas sob o comando da PGR, e não diretamente da Polícia Federal neste momento.
“A manifestação é pela autorização para que a Procuradoria-Geral da República proceda à extração e análise de todo o acervo probatório colhido nos autos em espécie, com posterior disponibilização”, escreveu o ministro.
Instruções Específicas
No despacho, Toffoli detalhou procedimentos técnicos rígidos para o manuseio dos dispositivos, exigindo que o Procurador-Geral adote cautelas para a preservação do conteúdo:
“Determino, outrossim, que o Procurador-Geral da República adote as cautelas necessárias à correta e cuidadosa custódia do referido material, bastando para tanto que os aparelhos sejam mantidos eletricamente carregados e em modo desacoplado de redes telefônicas e de wi-fi, para a devida preservação de seu conteúdo e oportuna extração e periciamento pela autoridade encarregada”.
Clima de Desconfiança
Apesar da liberação para análise, a mudança de rota é vista com ceticismo nos bastidores jurídicos e políticos. A oscilação entre travar o material no STF e, logo em seguida, enviá-lo à PGR — mantendo a PF em segundo plano — alimenta a percepção de que o cenário continua “nebuloso”.
Para observadores do caso, a gestão errática das provas da Operação Compliance Zero levanta suspeitas sobre a condução do inquérito. A sensação predominante é de alerta: “Isso não está cheirando bem”.





