“Cilada” e anulação de provas: Juristas veem manobra de Toffoli para blindar material do Banco Master

A declaração do ministro Dias Toffoli, acusando a Polícia Federal de desrespeitar o prazo para a deflagração da nova fase da Operação Compliance Zero, desencadeou uma crise de confiança nos bastidores de Brasília. Enquanto o magistrado aponta “inércia” da corporação, juristas e analistas políticos enxergam uma estratégia calculada para inviabilizar as apurações contra Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

A Tese da “Cilada”

Para o advogado criminalista Jeffrey Chiquini, a narrativa de atraso construída por Toffoli esconde uma armadilha processual. Segundo ele, o ministro estabeleceu uma condição inexequível — a deflagração de uma operação complexa em apenas 24 horas — ciente de que o prazo não poderia ser cumprido.

“O magistrado na realidade armou uma ‘cilada’ para a Polícia Federal. Toffoli impôs uma condição impossível para a realização da operação, para na sequência obstruir a utilização das provas”, avaliou Chiquini.

A consequência jurídica dessa manobra, segundo o advogado, é clara: “Tudo deverá ser anulado”. A percepção de que foram usados em um jogo de cartas marcadas deixou delegados e agentes federais perplexos.

“Recolher e Guardar”

A decisão de Toffoli de mandar lacrar todo o material apreendido e mantê-lo sob custódia do STF, impedindo a perícia imediata da PF, reforça a leitura de que o objetivo não era investigar, mas controlar o acervo probatório.

O jornalista Mario Sabino foi cirúrgico ao analisar o movimento do ministro:

“Pelo jeito, Dias Toffoli apenas usou a PF para recolher e guardar provas que estavam espalhadas por aí.”

O Alvo

A operação, agora sob risco de nulidade, mira suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados ligados ao Banco Master. Com as provas trancadas no Supremo e a legalidade da ação questionada pelo próprio relator, o futuro da investigação é incerto.

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Bruno Rigacci

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