“Algo errado no reino do Banco Master”: Toffoli acusa PF de inércia, mas confisco de provas no STF gera estranheza

Há uma guerra surda sendo travada nos bastidores do escândalo bilionário envolvendo o Banco Master. Se por um lado a gestão de Andrei Rodrigues à frente da Polícia Federal (PF) enfrenta críticas de estar “engessada”, por outro, a reação do ministro Dias Toffoli ao puxar para si a guarda exclusiva das provas causou perplexidade e levantou a suspeita de que há peças faltando nesse tabuleiro.

O novo capítulo da crise institucional ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero. Em despacho contundente, Toffoli acusou a PF de descumprir uma ordem expressa da Corte. Segundo o ministro, a autorização para as medidas cautelares foi expedida em 12 de janeiro com um ultimato: a operação deveria ser deflagrada em, no máximo, 24 horas.

O Atraso e a Cobrança

O prazo, no entanto, foi ignorado. Para o magistrado, a demora não foi apenas um erro operacional, mas uma falha que pode ter comprometido irremediavelmente a coleta de provas e o andamento das investigações.

“A demora pode ter causado prejuízos à apuração dos fatos”, registrou Toffoli na decisão, exigindo que a direção da PF explique formalmente os motivos do descumprimento. A crítica atinge diretamente a gestão de Andrei Rodrigues, colocando a corporação na defensiva.

A “Caixa Preta” no STF

Contudo, se a inércia da PF é apontada como grave, a solução encontrada pelo ministro é classificada nos bastidores como, no mínimo, intrigante. Ao invés de cobrar celeridade na análise do material, Toffoli determinou que todas as provas coletadas nesta fase fiquem lacradas e armazenadas nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF), sob sua custódia direta.

A medida impede que os peritos da Polícia Federal tenham acesso imediato aos computadores, documentos e celulares apreendidos, travando o fluxo normal da investigação criminal.

Para analistas e fontes ligadas ao meio jurídico, a situação é paradoxal: Toffoli aponta o dedo para a ineficiência da PF, mas, ao mesmo tempo, centraliza o material probatório em seu gabinete, longe dos olhos dos investigadores. A pergunta que circula em Brasília é: o que há de tão sensível no material do Banco Master para que ele precise ficar trancado nos cofres do Supremo?

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Bruno Rigacci

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