Governo bate cabeça: Lula desiste de criar Ministério da Segurança e deve enterrar PEC após saída de Lewandowski

O governo federal recuou em uma de suas promessas estratégicas para a segunda metade do mandato. Segundo aliados próximos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de desmembrar o Ministério da Justiça para recriar a pasta da Segurança Pública. A reorganização, que voltou à tona após a saída do ministro Ricardo Lewandowski na semana passada, foi descartada e não deve ocorrer até o fim do governo.

A decisão reflete o temor do Palácio do Planalto de cair em uma “armadilha” em pleno ano eleitoral. Auxiliares do petista convenceram o presidente de que seria temerário definir as atribuições de um novo ministério sem o respaldo legal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança. A PEC seria necessária para dar poderes reais à União sobre as polícias, mas o texto enfrenta resistência intransponível.

O fim da “Vitrine”

Com graves dificuldades de articulação no Congresso, lideranças governistas já admitem nos bastidores a possibilidade de sepultar definitivamente a PEC da Segurança. O projeto era tratado como a principal “vitrine” do Executivo para responder às críticas da oposição sobre o aumento da criminalidade e o avanço do crime organizado.

Sem a PEC e sem o ministério exclusivo, o governo fica sem uma marca forte para apresentar na área de segurança, um dos principais calcanhares de Aquiles da gestão petista.

“Governo perdido”

A desistência da reestruturação expõe um diagnóstico severo sobre o atual momento do Planalto. Para críticos e analistas, o governo demonstra estar “totalmente perdido”.

A avaliação é de uma gestão sem rumo e sem comando centralizado, operando no improviso enquanto tenta conter danos. O cenário se agrava com a percepção de falta de controle sobre a máquina pública, em meio a denúncias de que “muita gente está faturando” em esquemas de corrupção que começam a vir à tona, minando a autoridade do Executivo.

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Bruno Rigacci

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