Coaf mira ministra do STM: repasses de R$ 700 mil ligam escritório a esquema de lavagem e “Careca do INSS”

Um relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) colocou sob suspeita transações envolvendo a atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman. Segundo revelado pelo portal Metrópoles nesta segunda-feira (12), o escritório de advocacia da magistrada recebeu R$ 700 mil da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, pivô de uma investigação sobre lavagem de dinheiro.

As transferências ocorreram entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, pouco antes de Verônica assumir a cadeira no tribunal militar. A ACX ITC é associada a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura central em esquemas de fraudes sob apuração.

“Laranjas” e Movimentações Milionárias

O que chamou a atenção dos órgãos de controle foi a discrepância entre o perfil dos sócios da ACX ITC e os valores transacionados. A conta da empresa, sediada em São Caetano do Sul (SP), movimentou mais de R$ 266 milhões em apenas quatro meses.

Apesar de declarar um capital social de R$ 101,2 milhões, a empresa foi registrada em nome de Erika Nogueira Marques da Costa e Ericsson de Azevedo. O levantamento apontou que ambos eram beneficiários de programas sociais. Erika, que chegou a registrar participação societária de R$ 50 milhões, recebeu Bolsa Família entre 2014 e 2021.

A Polícia Federal (PF) sustenta que a ACX ITC integra um esquema de lavagem de dinheiro. Investigações apontam que a empresa recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações — ligada ao “Careca do INSS” — funcionando como uma passagem para ocultar a origem ilícita de recursos. Diante dos indícios, a CPMI do INSS já autorizou a quebra do sigilo fiscal da companhia.

Defesa e Outros Envolvidos

Em nota, a ministra Verônica Abdalla Sterman confirmou o recebimento dos valores, justificando-os como pagamento por serviços de consultoria jurídica, especificamente a elaboração de três pareceres criminais. Ela afirmou desconhecer que a empresa pertencesse ao empresário investigado.

Os relatórios do Coaf também identificaram pagamentos de R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ, Nefi Cordeiro, realizados após sua saída da Corte.

Controvérsia na Nomeação

A indicação de Verônica ao STM, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2025, já havia sido marcada por turbulências. Apoiada por figuras da alta cúpula petista, como Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, a nomeação enfrentou resistência devido a inconsistências no currículo.

Durante a sabatina no Senado, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) expôs que a ministra não possuía o título de Mestre em Direito pela USP, como alegado. A universidade confirmou o desligamento de Verônica do programa sem a conclusão do curso e a ausência de defesa de tese, fato que gerou constrangimento mas não impediu sua aprovação pelo Congresso.

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Bruno Rigacci

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