“Interferência absurda”: Presidente do maior sindicato médico da América Latina reage à investida do STF contra o CFM
A relação entre o Poder Judiciário e a classe médica brasileira atingiu um ponto de ruptura inédito. Diante do que classificam como uma interferência “inaceitável e totalmente absurda” do Supremo Tribunal Federal (STF) nas atribuições do Conselho Federal de Medicina (CFM), lideranças da categoria começam a reagir publicamente.
Enquanto muitos conselhos regionais permanecem em silêncio — atitude atribuída nos bastidores ao medo de represálias institucionais e jurídicas —, uma voz de peso decidiu confrontar a situação. O médico Marcelo Matias, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (SIMERS), entidade reconhecida como o maior sindicato médico da América Latina, condenou veementemente a postura da Corte.
“Algo jamais visto”
Para Matias, a intervenção do STF na autonomia do órgão regulador da medicina representa uma anomalia institucional grave. A avaliação é de que decisões de caráter estritamente técnico e ético, que deveriam ser prerrogativa exclusiva dos pares médicos, estão sendo usurpadas por magistrados, criando um precedente perigoso.
“É uma esdrúxula intervenção. Algo jamais visto no país”, afirmou a liderança, ecoando o sentimento de revolta generalizada que, segundo relatos, domina os grupos médicos de todo o Brasil, apesar da cautela oficial de outras entidades.
Clima tenebroso
A reação contundente do SIMERS expõe a gravidade do momento político. A situação do país é descrita por interlocutores da saúde como “complicada e tenebrosa”, onde a insegurança jurídica passa a afetar diretamente o exercício profissional.
Ao se posicionar, Marcelo Matias coloca o sindicato gaúcho na vanguarda da defesa das prerrogativas médicas, desafiando o que críticos chamam de ativismo judicial desmedido sobre o CFM. A expectativa agora é se o gesto corajoso do presidente do SIMERS encorajará outras entidades de classe a quebrarem o silêncio diante da crise institucional.





