Banco Central impõe sigilo total sobre comunicações entre Moraes e diretoria no caso Banco Master

O Banco Central (BC) decidiu manter sob sigilo integral os registros de todas as comunicações, encontros e trocas de mensagens entre integrantes da autoridade monetária e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), referentes ao processo de liquidação extrajudicial do Banco Master.

A determinação veio em resposta a um pedido formal realizado com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), que solicitava a divulgação das agendas e tratativas institucionais envolvendo o caso. Em uma decisão considerada atípica por especialistas em transparência pública, o BC optou pela negativa total, argumentando que o material conteria dados patrimoniais, financeiros e informações pessoais protegidas por sigilo legal.

Com isso, permanecem ocultos até mesmo dados habitualmente públicos, como datas de reuniões oficiais, a confirmação da existência de mensagens e os registros formais de contatos entre o Judiciário e a autarquia. A prática padrão em órgãos federais diante de solicitações semelhantes costuma ser a entrega parcial dos documentos, ocultando apenas trechos sensíveis (tarja preta), o que não ocorreu neste episódio.

O contexto da crise

A blindagem das informações ocorre em um momento de elevada tensão institucional. O ministro Alexandre de Moraes é alvo de escrutínio público após reportagens da imprensa revelarem que ele teria mantido contatos frequentes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo apurações de veículos como O Globo e O Estado de S. Paulo, Moraes teria conversado ao menos seis vezes com Galípolo, supostamente exercendo pressão para favorecer o Banco Master, que acabou sendo liquidado pelo BC em novembro de 2025 após a descoberta de fraudes bilionárias.

Tanto Moraes quanto Galípolo negam que o Banco Master tenha sido a pauta central desses diálogos. O ministro alegou oficialmente que as reuniões trataram de temas institucionais, como a aplicação da Lei Magnitsky, e negou qualquer atuação em defesa do banco de Daniel Vorcaro.

Contrato milionário sob suspeita

A polêmica ganhou novos contornos com a revelação de que o Banco Master contratou o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, por valores expressivos. O contrato, firmado em janeiro de 2024, previa o pagamento de aproximadamente R$ 129 milhões (cerca de R$ 3,6 milhões mensais) por serviços de consultoria jurídica.

Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha arquivado recentemente um pedido de investigação sobre o caso, considerando não haver indícios de ilicitude, a cifra elevada e a coincidência temporal com os problemas regulatórios do banco aumentaram a pressão por transparência nas relações entre o STF e o sistema financeiro.

A negativa do Banco Central via LAI deve ser objeto de recursos administrativos, mas sinaliza uma postura de fechamento da autarquia diante da repercussão política do caso.

Para mais detalhes sobre as negativas do ministro Alexandre de Moraes a respeito dessas conversas, confira o vídeo a seguir:

Alexandre de Moraes nega conversas sobre Banco Master

O vídeo é relevante pois traz a declaração direta e a defesa pública do ministro Alexandre de Moraes negando as acusações de interferência junto ao Banco Central, oferecendo o contraponto oficial às suspeitas levantadas.

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Bruno Rigacci

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