Após 104 anos no Brasil, Lupo transfere parte da produção para o Paraguai após mudança tributária

Após mais de um século produzindo no Brasil, a Lupo, uma das marcas mais tradicionais do setor têxtil nacional, decidiu transferir parte de sua operação para o Paraguai. A mudança ocorre após a aprovação da Lei nº 14.789/2023, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alterou o tratamento tributário dos incentivos fiscais estaduais e elevou os custos de operação para indústrias instaladas no país.

A legislação extinguiu a isenção de tributos federais sobre benefícios relacionados ao ICMS. Embora o governo tenha apresentado a medida como um instrumento para ampliar a arrecadação, empresas do setor produtivo afirmam que a mudança reduziu a competitividade da indústria brasileira.

Segundo a Lupo, o novo cenário tornou parte da operação economicamente inviável. Fundada há 104 anos, a empresa atravessou períodos como a Grande Depressão, a hiperinflação, sucessivas mudanças monetárias e a pandemia, mas agora passa a produzir fora do território nacional.

Em junho, a companhia inaugurou uma nova unidade industrial em Ciudad del Este, no Paraguai, com investimento superior a R$ 30 milhões. A fábrica tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano e já gera cerca de 110 empregos diretos.

A diferença de custos foi determinante para a decisão. De acordo com a empresa, produzir no Paraguai é cerca de 28% mais barato do que no Brasil, resultado de uma carga tributária menor e de um ambiente regulatório menos burocrático.

Em entrevista, a diretora-presidente da Lupo, Liliana Aufiero, atribuiu a mudança diretamente às condições impostas no Brasil.

“Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai”, afirmou.

Para operar no país vizinho, a empresa aderiu ao regime de maquila, que permite a industrialização com matéria-prima importada, tributação reduzida e foco na exportação. Atualmente, grande parte das indústrias enquadradas nesse regime está concentrada no departamento de Alto Paraná, onde fica Ciudad del Este.

Além do menor custo de produção, a proximidade geográfica com o Brasil reduz despesas logísticas. O próprio mercado brasileiro é o principal destino dos produtos fabricados no Paraguai sob o regime de maquila, incluindo os itens produzidos pela Lupo.

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Bruno Rigacci

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