Governo Lula se une a países da América Latina e à Espanha em nota crítica à captura de Nicolás Maduro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uniu-se neste sábado a México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha na divulgação de uma nota conjunta sobre a captura de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos. O conteúdo do comunicado provocou forte repercussão política e críticas de setores que consideraram a posição contraditória diante do histórico autoritário do regime venezuelano.
No texto, os governos afirmam preocupação com as ações militares realizadas em território venezuelano e destacam princípios do direito internacional, como a soberania dos Estados e a proibição do uso da força.
Críticas à ação militar
No primeiro ponto da nota, os países signatários manifestam “profunda preocupação e rechaço” às ações militares unilaterais na Venezuela, classificando-as como um precedente perigoso para a paz regional e para a ordem internacional baseada em normas.
Segundo o documento, tais ações colocariam em risco a população civil e violariam princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, como o respeito à integridade territorial dos Estados.
Defesa de solução pacífica e diálogo
A nota também reforça que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem ingerências externas. Os governos defendem que apenas um processo político conduzido pelos próprios venezuelanos poderia resultar em uma solução democrática e sustentável.
O texto ressalta ainda a importância de respeitar “a vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões”, sem detalhar como essa vontade seria garantida após a queda do regime.
América Latina como “zona de paz”
Outro ponto do comunicado reafirma o compromisso da América Latina e do Caribe como zona de paz, defendendo a não intervenção e a solução pacífica de controvérsias. Os países também apelam à unidade regional e solicitam a atuação da ONU e de mecanismos multilaterais para reduzir tensões e preservar a estabilidade.
Alerta sobre recursos naturais
No trecho final, a nota manifesta preocupação com qualquer tentativa de controle, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos da Venezuela, afirmando que isso seria incompatível com o direito internacional e poderia ameaçar a estabilidade política, econômica e social da região.
Repercussão política
A posição adotada pelo governo brasileiro e seus parceiros causou reações imediatas no meio político. Críticos argumentam que o comunicado ignora o histórico de fraudes eleitorais, repressão política e violações de direitos humanos atribuídas ao regime de Maduro, enquanto aliados do governo defendem a coerência com a tradição diplomática de não intervenção.
A nota evidencia as divisões na América Latina diante do novo cenário venezuelano e reacende o debate sobre soberania, democracia e o papel de potências estrangeiras na região.





