AGU contrata escritório onde Barroso trabalhou para defender Moraes nos EUA
A Advocacia-Geral da União (AGU) contratou o tradicional escritório de advocacia americano Arnold & Porter Kaye Scholer LLP, com sede em Washington, para representar o governo brasileiro nos Estados Unidos em uma tentativa de reverter sanções econômicas impostas durante o governo do presidente Donald Trump.
A revelação foi feita neste sábado (30), em meio a um contexto de tensão diplomática crescente entre Brasília e Washington. A contratação ocorre no momento em que o Brasil busca alternativas jurídicas e diplomáticas para enfrentar restrições comerciais e financeiras que continuam em vigor mesmo após mudanças na administração americana.
O escritório Arnold & Porter é conhecido por sua atuação em casos de alta complexidade internacional e já teve entre seus quadros o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que trabalhou como foreign associate na firma em 1989, após concluir seu mestrado (LL.M) na Universidade de Yale.
Durante uma palestra realizada em 2016 na sede do escritório, quando ainda podia viajar aos EUA, Barroso lembrou com entusiasmo de sua passagem pela firma:
“Fui um foreign associate aqui no Arnold & Porter no distante ano de 1989, logo após haver concluído meu LL.M em Yale, e ter trabalhado aqui foi uma experiência que marcou a minha vida positivamente. De volta ao Brasil, eu me dediquei simultaneamente à vida acadêmica e à advocacia. Ao longo dos anos, meu escritório trabalhou em conjunto com o Arnold & Porter em alguns casos, e eu mesmo assinei affidavits e atuei como expert witness em questões de direito brasileiro em litígios aqui.”
A experiência do escritório com questões internacionais e a familiaridade com o sistema jurídico brasileiro foram fatores decisivos para a escolha, segundo fontes ligadas à AGU. A expectativa é que a equipe americana atue diretamente junto a órgãos do governo dos EUA, como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Estado, para buscar a revisão das medidas que têm afetado setores estratégicos da economia brasileira.
Repercussão e contexto diplomático
As sanções impostas por Trump foram motivadas por questões comerciais e geopolíticas, e incluíram restrições a empresas brasileiras em setores como energia, defesa e tecnologia. Apesar de pressões diplomáticas recentes, a atual administração norte-americana ainda não sinalizou mudanças significativas na política de sanções em relação ao Brasil.
A atuação do Arnold & Porter será central na estratégia do governo brasileiro para tentar reverter esse cenário, utilizando canais legais e diplomáticos nos EUA. A medida é vista por especialistas como uma tentativa de fortalecer a posição brasileira na arena internacional e mostrar disposição para resolver impasses por vias institucionais.