Eduardo Bolsonaro pede sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a atrair os holofotes da política internacional ao promover uma ofensiva diplomática em Washington, capital dos Estados Unidos, contra autoridades brasileiras envolvidas nas investigações dos atos de 8 de janeiro de 2023. A principal proposta do parlamentar, apresentada ao governo norte-americano ao lado do comentarista Paulo Figueiredo, visa impor sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, incluindo o cancelamento de seu visto de entrada nos EUA.

A proposta, que também mira o procurador-geral da República Paulo Gonet e delegados da Polícia Federal, ganhou destaque por seu ineditismo e pela inspiração em ações já realizadas por Washington contra figuras internacionais — como o caso do procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, sancionado em fevereiro de 2025.

Sanções Inspiradas em Caso da ONU

O plano entregue por Eduardo Bolsonaro aos norte-americanos se baseia em dois caminhos possíveis:

  1. Um decreto direto assinado por Donald Trump, caso o ex-presidente americano retorne à Casa Branca após as eleições de 2024;

  2. Abertura de um processo administrativo no atual governo, com aval do Departamento de Estado, Departamento de Justiça e outras agências federais.

Essas medidas seguem o precedente criado com a punição a Karim Khan, que resultou em congelamento de bens, suspensão de visto e restrições bancárias nos Estados Unidos. Para Eduardo, Alexandre de Moraes estaria violando garantias constitucionais, principalmente no que diz respeito à liberdade de expressão, princípio resguardado pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Apoio de Aliados de Trump

Durante sua estadia em Washington, Eduardo Bolsonaro foi recebido por Jason Miller, ex-assessor de comunicação de Donald Trump e hoje executivo da plataforma Gettr, que já foi alvo de bloqueios determinados por Moraes no Inquérito das Fake News. Miller publicou em suas redes sociais uma foto ao lado de Eduardo com a legenda “Adivinha quem está de volta?”, interpretada como um recado direto de alinhamento com o bolsonarismo.

Além de Miller, o parlamentar brasileiro participou de reuniões com integrantes do governo americano e parlamentares do Partido Republicano, como Rich McCormick e María Elvira Salazar, que apoiam um projeto de lei em tramitação no Congresso dos EUA. O projeto propõe proibir a entrada de autoridades estrangeiras acusadas de suprimir a liberdade de expressão, mirando indiretamente figuras como Alexandre de Moraes.

Eduardo Bolsonaro Fala em Asilo Político

A tensão entre o deputado e o Supremo Tribunal Federal chegou a tal ponto que Eduardo Bolsonaro admitiu estar considerando solicitar asilo político nos Estados Unidos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar afirmou que sua permanência no exterior se deve ao temor de ter seu passaporte retido por ordem de Moraes.

“Se o Alexandre de Moraes tira meu passaporte, eu ia ficar preso no Brasil”, disse Eduardo.

Atualmente, ele reside com a família no estado do Texas, e declarou que se mantém com recursos próprios, além de ajuda financeira do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de amigos.

Críticas ao Governo Lula

Eduardo Bolsonaro também aproveitou a visita para criticar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente após o anúncio de novas tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil, ocorrido no mesmo dia de suas reuniões (2 de abril). Embora tenha reconhecido os impactos negativos das tarifas, Eduardo evitou culpar Trump diretamente:

“Não sou a favor das tarifas, mas sou justo e honesto o suficiente pra enxergar que o que o Trump está fazendo não é retaliação. Cabe ao governo Lula reduzir os impostos de importação.”

Essa declaração visa reforçar a narrativa de que as ações de Trump não são hostis ao Brasil, mas sim reações legítimas às políticas internas do atual governo brasileiro — discurso alinhado ao nacionalismo econômico defendido por setores do Partido Republicano.

Estratégia Geopolítica e Soft Power

A movimentação internacional de Eduardo Bolsonaro tem também um pano de fundo estratégico. Ao atuar no Congresso americano, com apoio de think tanks conservadores e mídias de direita, o parlamentar tenta internacionalizar o embate político brasileiro, elevando o confronto entre bolsonarismo e STF ao cenário da geopolítica global.

Analistas avaliam que essa estratégia busca constranger o governo Lula e colocar pressão sobre o Judiciário brasileiro, usando o discurso da liberdade de expressão como elo com os valores constitucionais dos EUA. Há também quem veja na iniciativa uma tentativa de preparar terreno jurídico para uma eventual saída definitiva do país, caso os processos contra a família Bolsonaro avancem.

Repercussões e Polêmica

A tentativa de influenciar a política externa dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras causou reações controversas. Juristas e políticos da base governista classificaram a iniciativa como “ato de traição nacional”, alegando que não cabe a um parlamentar brasileiro pedir sanções de outro país contra o próprio Estado.

Por outro lado, aliados de Eduardo o defendem como “defensor da liberdade”, argumentando que o STF teria ultrapassado seus limites institucionais. Nas redes sociais, a ofensiva gerou amplo debate, com hashtags como #SançõesContraMoraes e #AsiloParaEduardo ganhando destaque entre os apoiadores do bolsonarismo.

Conclusão: Um Tabuleiro em Escala Global

A investida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos revela o nível de radicalização do embate institucional brasileiro. A tentativa de influenciar a diplomacia americana contra o STF marca um novo patamar de tensão entre os poderes da República e a ala conservadora da política brasileira.

Com um pé fora do país e o outro ainda na política nacional, Eduardo parece apostar em um cenário onde o trumpismo retorna ao poder e oferece proteção política e jurídica aos aliados de Bolsonaro. No entanto, essa estratégia pode ter efeitos imprevisíveis, tanto para o equilíbrio institucional do Brasil quanto para a sua imagem no exterior.

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Bruno Rigacci

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