Bolsonaro reitera convite para ato pró-anistia: “Por um Brasil livre”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a convocar seus apoiadores para comparecerem à manifestação marcada para este domingo (5) na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato tem como objetivo central a anistia dos presos pelos atos do 8 de janeiro, considerados por Bolsonaro e seus aliados como vítimas de “injustiça” e “perseguição política”. A concentração está prevista para as 14h.

A convocação foi reforçada por Bolsonaro em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter) neste sábado (4), na qual o líder conservador destaca o caso da missionária e estudante de psicologia Eliene Amorim de Jesus, que obteve prisão domiciliar após dois anos detida no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão.

“Falei aqui sobre a prisão cruel e injusta de Eliene Amorim de Jesus, jovem missionária, trabalhadora e estudante de psicologia, presa por acompanhar os acampamentos como pesquisadora, com papel e caneta na mão, para realizar seu sonho de escrever um livro”, escreveu Bolsonaro.

A liberação de Eliene foi comemorada por seus apoiadores como uma “pequena vitória” do movimento conservador, mas Bolsonaro ressaltou que a liberdade ainda é limitada. Segundo ele, Eliene está em prisão domiciliar, obrigada a usar tornozeleira eletrônica, proibida de se manifestar publicamente, receber visitas ou levar uma vida normal.

“Essa ainda não é a liberdade que ela merece. Mas é uma pequena vitória. E é importante reconhecer: ela só aconteceu porque o caso foi exposto, denunciado e ganhou as redes”, declarou o ex-presidente.

Pressão popular e redes sociais como instrumentos de luta

Bolsonaro associou diretamente o alívio judicial conquistado por Eliene ao engajamento popular nas redes sociais. Para ele, os brasileiros devem continuar pressionando por meio de mobilizações digitais e físicas. Ele também mencionou outro caso simbólico: o de Débora Rodrigues, presa por pichar a estátua da Justiça com batom durante os atos do 8 de janeiro. Débora também foi beneficiada com a prisão domiciliar recentemente, o que, na visão de Bolsonaro, reforça a força da mobilização popular.

“Essa vitória, ainda que pequena e parcial, é um sinal para todos nós: a pressão do povo funciona. Quando você compartilha, denuncia e se une a milhões de outros brasileiros para se manifestar contra a injustiça, o autoritarismo recua”, afirmou.

O ato na Avenida Paulista

O evento convocado por Bolsonaro neste domingo tem sido promovido com intensidade nas redes sociais bolsonaristas. A palavra de ordem é “anistia” – um pedido coletivo pelo perdão dos réus e condenados pelos atos de vandalismo e invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

Cartazes, vídeos e depoimentos têm circulado nas plataformas digitais, com apelos emocionais por justiça e liberdade. Alguns conteúdos incluem depoimentos de familiares dos presos, que relatam condições difíceis em presídios, alegam inocência dos detidos e criticam a lentidão da Justiça.

O próprio Bolsonaro tem sido figura central na articulação do movimento, tentando capitalizar a insatisfação de parte da população com o tratamento dado aos manifestantes de 2023. Em fevereiro, ele já havia liderado uma manifestação na mesma avenida, marcada por discursos sobre liberdade, democracia e contra o que chamou de “perseguição política”.

Contexto jurídico e político

O caso de Eliene Amorim, segundo a defesa, revela uma série de irregularidades no processo: ausência de julgamento por mais de dois anos, falta de provas materiais e suposta motivação política. Sua libertação parcial reacendeu o debate sobre o tratamento judicial aos envolvidos nos protestos.

Por outro lado, setores do Judiciário e especialistas em direito penal alegam que os atos de 8 de janeiro configuraram tentativa de golpe, com invasão violenta das sedes dos Poderes da República. Muitos réus foram acusados de crimes como associação criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio público.

No entanto, para a base bolsonarista, muitos dos presos são considerados “presos políticos”, o que alimenta a narrativa de perseguição ideológica. Esse discurso tem ganhado força entre influenciadores conservadores e parlamentares ligados à direita.

Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e apoio nas redes

Além do ex-presidente, outras figuras públicas conservadoras se manifestaram sobre o caso. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defendeu o ato nas redes sociais, mencionando a importância de “não abandonar quem lutou pelo Brasil”. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem produzido vídeos que repercutem amplamente entre jovens conservadores – uma de suas últimas publicações teve cinco vezes mais visualizações que as de influenciadores progressistas como Felipe Neto.

Essas ações evidenciam uma nova estratégia digital da direita, focada em viralização de conteúdo emocional, vídeos curtos e mensagens de apelo popular, que reforçam a narrativa de um “Brasil oprimido” que precisa ser libertado.

Repercussão e riscos

A manifestação deste domingo será acompanhada de perto por autoridades de segurança pública. O governo estadual de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) – aliado de Bolsonaro – mobilizou um plano de segurança para evitar tumultos, vandalismos ou confrontos.

O Ministério da Justiça também informou que está monitorando o movimento por meio da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Federal, a fim de garantir que o direito à livre manifestação seja respeitado, mas dentro dos limites da legalidade e da ordem pública.

Compartilhe nas redes sociais

Bruno Rigacci

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site! ACEPTAR
Aviso de cookies