Esposa de Moraes foi contratada pelo Banco Master
O Banco Master, atualmente em processo de negociação para sua venda ao Banco Regional de Brasília (BRB), tem gerado discussões devido às conexões familiares que envolvem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o escritório de advocacia Barci de Moraes, que representa o banco, tem como sócia Viviane, esposa do ministro, além de seus dois filhos. Embora Viviane atue em poucas ações no Banco Master, a natureza dessas ações não foi divulgada, e nem os honorários pagos pelo banco.
A Relação com o STF e Processos de Interesse
A instituição financeira possui um portfólio significativo de 7,6 bilhões de reais em papéis com vencimento até 2025, além de 8,7 bilhões de reais em precatórios — títulos de dívida frequentemente abordados em decisões do STF. Um dos casos mais relevantes do Banco Master está sendo discutido no Supremo: uma ação contra a União sobre o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.
Apesar de Viviane Barci de Moraes ser a responsável legal pelo banco, seu nome não consta nos autos dessa ação específica, mas o escritório Barci de Moraes tem 30 processos em andamento no STF, o que levanta questionamentos sobre a influência de conexões familiares no sistema judiciário.
Eventos Patrocinados e Suspeitas de Conflito de Interesses
O Banco Master, que tem patrocinado eventos jurídicos, como o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024, também se tornou um ponto de controvérsia. O evento contou com a participação dos ministros do STF Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que foram hospedados no luxuoso hotel The Peninsula, com diárias de pelo menos R$ 6 mil. O ministro Moraes, entretanto, não esclareceu se as despesas com passagens aéreas e hospedagem foram custeadas pelo Banco Master, nem se há um possível conflito ético em sua participação em eventos patrocinados pela instituição que conta com sua esposa como representante.
Contratos e Conexões com Outros Ex-Ministros
Além de Viviane Barci de Moraes, o Banco Master também firmou contratos com outros membros de destaque da política e do judiciário. Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça, foi contratado para integrar o conselho estratégico do banco após sua aposentadoria, com um salário superior a R$ 100 mil. Outro nome de peso é Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda durante os governos de Lula e Dilma, que atua como “consultor estratégico” desde 2024.
De acordo com O Globo, Mantega foi responsável por facilitar um encontro entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o presidente Lula, no Palácio do Planalto. Esse tipo de relação estreita com ex-ministros e altos membros do governo levanta ainda mais suspeitas sobre a influência do banco em esferas políticas e jurídicas.
Venda do Banco Master ao BRB e Impactos Políticos
A venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB) também está no centro das atenções. A transação, avaliada em R$ 2 bilhões, foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração do BRB. O BRB adquiriu 49% das ações ordinárias do Banco Master, com direito a voto, e 100% das ações preferenciais, sem direito a voto. A operação prevê ainda uma reorganização societária para separar os ativos e passivos não estratégicos da instituição.
Esta venda ocorre em meio a discussões sobre o papel de influências familiares no judiciário e no setor bancário, e coloca a relação entre o Banco Master, seus executivos e as figuras do STF sob o olhar atento da mídia e da sociedade.
Conexões Familiares e a Política no STF
O caso do Banco Master é apenas um entre muitos que revelam como as conexões familiares e os interesses comerciais podem se entrelaçar com o poder judiciário. O jornal Crusoé trouxe à tona como escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros do STF têm influenciado decisões no Supremo. O caso de Dias Toffoli, que suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões contra a J&F, é apenas um exemplo do que a mídia tem apontado como um possível conflito de interesses envolvendo o judiciário e grandes empresas.
Em 2023, o STF autorizou que ministros e juízes julgassem casos relacionados a clientes de escritórios de advocacia que tivessem parentes na Corte, o que gerou ainda mais especulação sobre a ética nas decisões judiciais.
Reflexões sobre o Poder e a Influência no Judiciário
As questões envolvendo o Banco Master, a família Barci de Moraes e os contratos com ex-ministros do STF levantam um debate mais amplo sobre o poder de influência dentro do sistema judiciário. A ideia de que “mulheres ficam com o poder econômico nos escritórios de advocacia, e os maridos, com o poder político dentro do Judiciário”, como citado pela ex-ministra do STJ Eliana Calmon, reflete a preocupação crescente sobre a transparência e a ética nas relações entre o Judiciário, o Executivo e os grandes negócios no Brasil.
Esses casos não só alimentam as discussões sobre os limites entre o poder político e o judiciário, mas também levantam questões sobre a imparcialidade e a transparência nas decisões tomadas por ministros que possuem laços estreitos com grandes interesses econômicos.