Bolsonaro ironiza Moraes por uso de voo da FAB
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a provocar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma entrevista ao canal AuriVerde Brasil na manhã desta terça-feira (2), em São Paulo. Bolsonaro criticou Moraes por utilizar uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar de Brasília a São Paulo, onde assistiu à final do Campeonato Paulista. Em tom irônico, o ex-presidente sugeriu que, se o ministro “salvou o Brasil de uma ditadura”, deveria viajar em um voo comercial para receber aplausos dos passageiros, insinuando que tal recepção não ocorreria.
A declaração de Bolsonaro ocorre em um momento crítico, dias antes do ato pró-anistia que será realizado no próximo domingo (6), na capital paulista. Durante a entrevista, o ex-presidente também comentou sobre um pedido de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma notícia-crime que avalia a possibilidade de sua prisão preventiva.
Uso da FAB e Questões de Segurança
A viagem de Alexandre de Moraes na aeronave da FAB aconteceu na segunda-feira (31), um dia antes da final entre Corinthians e Palmeiras, realizada na Neo Química Arena. O STF justificou o deslocamento por motivos de segurança, um direito garantido a autoridades do alto escalão do Judiciário.
Entretanto, a justificativa não impediu críticas, especialmente de opositores que questionam o uso de recursos públicos para viagens que, segundo eles, não teriam caráter institucional. O episódio reacendeu o embate público entre Bolsonaro e Moraes, que têm um histórico de confrontos desde o período em que o ex-presidente estava no Palácio do Planalto.
Histórico de Atritos e Estratégia de Confronto
Bolsonaro e Moraes têm protagonizado uma das rivalidades mais intensas da política brasileira nos últimos anos. Durante o governo Bolsonaro (2019-2022), Moraes foi responsável por relatar inquéritos que investigaram aliados do então presidente, determinando medidas como bloqueios de redes sociais e apreensões de bens. Além disso, o ministro do STF teve papel central na decisão que tornou Bolsonaro inelegível até 2030, por ataques ao sistema eleitoral em 2022.
A ironia do ex-presidente ao sugerir que Moraes utilizasse um voo comercial remete a episódios em que ele próprio foi aplaudido por passageiros durante suas viagens, algo que frequentemente menciona como demonstração de apoio popular. Essa estratégia reforça sua narrativa de que o Judiciário age politicamente para excluí-lo do cenário eleitoral.
Ato de 6 de Abril e Mobilização Política
O ato de 6 de abril, em São Paulo, será um importante termômetro da força política de Bolsonaro, especialmente em meio à sua inelegibilidade e aos processos judiciais que o cercam. Especialistas apontam que declarações como essa, provocando figuras do STF, fazem parte de uma estratégia calculada para manter sua base engajada.
A escolha de São Paulo para a entrevista e para o ato também é significativa. O estado é um reduto bolsonarista e palco de disputas políticas acirradas. Além disso, temas como privilégios de autoridades, uso de recursos públicos e liberdade de expressão são assuntos sensíveis que Bolsonaro tem explorado para manter sua relevância política.
Tensões Crescentes e o Futuro do Embate
A relação conturbada entre Bolsonaro e Moraes não mostra sinais de trégua. Enquanto o ministro do STF continua comandando inquéritos que envolvem aliados do ex-presidente, Bolsonaro aposta no confronto direto como forma de mobilizar sua base e desafiar as decisões judiciais que o impedem de concorrer em 2026.
A provocação sobre voos comerciais, embora feita em tom irônico, reforça a estratégia bolsonarista de se colocar como um líder próximo ao povo, em oposição às elites políticas e jurídicas. O desfecho desse embate dependerá tanto do avanço das investigações contra Bolsonaro quanto da capacidade de seu grupo político de transformar essas polêmicas em capital eleitoral.
O cenário político segue polarizado, e novos episódios desse confronto devem surgir nos próximos dias.