Oposição promete obstruir pautas para pressionar avanço do projeto da anistia na Câmara
Na tarde desta terça-feira (1º), deputados da oposição decidiram obstruir o avanço de pautas em comissões permanentes e no Plenário da Câmara dos Deputados. O objetivo da obstrução é pressionar pela inclusão de um requerimento de urgência que acelere a tramitação do projeto de lei da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
A estratégia foi definida após uma reunião entre parlamentares do PL (Partido Liberal) e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo nota divulgada pelos deputados, o objetivo é “usar o instrumento regimental de obstrução total dos trabalhos” para forçar a inclusão do requerimento de urgência e acelerar a tramitação do projeto que tem gerado grande controvérsia no Congresso e na sociedade.
A obstrução pode dificultar a votação de outros projetos em andamento, retardando o processo legislativo até que o projeto da anistia seja priorizado. “A ideia é pressionar pela inclusão do requerimento de urgência para acelerar a tramitação do PL da Anistia”, afirmou a nota.
A oposição também planeja realizar uma coletiva de imprensa com familiares dos presos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, com o intuito de fortalecer a argumentação a favor da anistia e mobilizar a opinião pública. Além disso, está prevista uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, para o próximo domingo (6), como parte da estratégia para aumentar a pressão sobre o governo e os parlamentares favoráveis à não concessão de anistia.
O Projeto de Lei da Anistia gerou debates intensos, com alguns setores políticos e da sociedade se posicionando contra a ideia, alegando que a medida poderia enfraquecer a resposta judicial aos atos de violência e desrespeito às instituições. Por outro lado, aliados do ex-presidente e outros parlamentares favoráveis à anistia argumentam que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro foram injustamente punidos por suas ações em um momento de legítima manifestação política.
A manobra da oposição surge em meio à crescente polarização sobre o tema, que tem mobilizado tanto defensores quanto críticos da proposta. A votação sobre o requerimento de urgência deverá ser um dos próximos grandes testes no Legislativo.