Ato esvaziado contra anistia vira piada entre nomes da direita
A manifestação convocada pela esquerda, liderada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), neste domingo (30), teve uma adesão muito abaixo do esperado, tornando-se alvo de piadas e críticas por parte de políticos e apoiadores da direita. O ato, que ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, foi organizado pelos movimentos sociais Povo Sem Medo e Brasil Popular e tinha como principal pauta a defesa da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a oposição à anistia dos presos pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023.
No entanto, o baixo comparecimento gerou uma onda de ironias nas redes sociais, principalmente entre figuras proeminentes da direita, como o próprio Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Bolsonaro ironiza baixa adesão e alfineta a Globo
Jair Bolsonaro não perdeu a oportunidade de satirizar o evento. O ex-presidente utilizou as redes sociais para ironizar como a mídia tradicional, especialmente a TV Globo, noticiaria a manifestação.
“Segundo a USP e a Rede Globo, manifestação do PT contra a anistia dos presos políticos do 8 de janeiro tem 5 bilhões de pessoas!”, escreveu Bolsonaro em tom de sarcasmo.
A publicação rapidamente viralizou, gerando milhares de interações e compartilhamentos. O ex-presidente, que recentemente participou de uma manifestação no Rio de Janeiro com público expressivo, tem reforçado sua posição contra a prisão dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, classificando-os como “presos políticos”.
Nikolas Ferreira conta manifestantes e ironiza evento
O deputado federal Nikolas Ferreira, um dos nomes mais influentes da direita nas redes sociais, também usou o Twitter para zombar do tamanho do protesto. O parlamentar mineiro publicou uma foto do ato e afirmou ter contado apenas 44 pessoas presentes.
“A esquerda conseguiu fazer uma manifestação tão grande, mas tão grande, que dá pra contar quantas pessoas foram na foto kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu contei 44 e vocês?”, escreveu o deputado.
Além disso, mais cedo no mesmo dia, Nikolas já havia previsto a baixa adesão ao evento, afirmando que se Bolsonaro simplesmente “comesse um pastel na Paulista”, o número de pessoas ao seu redor seria maior.
Outros políticos da direita entram na brincadeira
A baixa presença no ato também foi comentada por outros nomes da oposição. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) ironizou a estimativa de público feita por setores da esquerda e, de maneira sarcástica, envolveu a Universidade de São Paulo (USP) na narrativa.
“Segundo a USP, tinha 2 milhões de pessoas. E eles ainda têm a cara de pau de tentar desmerecer as manifestações da direita”, disparou Jordy.
Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi ainda mais longe e direcionou sua crítica diretamente a Boulos.
“Vazio total. A manifestação de Boulos comprova que o vazio de dentro pode ser visto pelo vazio de fora. Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz, diz o ditado. Nesse caso, é menos. O vazio de Boulos encheu a Paulista de…vazio”, provocou o parlamentar.
Boulos minimiza número de participantes
Diante das críticas e da evidente falta de adesão ao protesto, Guilherme Boulos se manifestou em entrevista à CNN na última sexta-feira (28), tentando minimizar a possível diferença de público entre seu ato e as recentes manifestações da direita, que têm reunido grandes multidões.
“A questão não é o tamanho do público. Nós não podemos deixar as ruas para o bolsonarismo e ficar na defensiva nesta pauta da anistia”, declarou o deputado.
A fala de Boulos reflete uma preocupação da esquerda em não perder espaço no debate público sobre a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Apesar disso, a realidade demonstrada nas ruas e nas redes sociais mostra que a mobilização contra Bolsonaro e a favor da prisão dos manifestantes do 8 de janeiro ainda não tem força popular suficiente para se contrapor às manifestações da direita.
A repercussão nas redes sociais
O fracasso da manifestação se tornou um dos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter) e no Instagram, onde usuários fizeram memes e piadas sobre a baixa adesão.
Além dos políticos, perfis influentes da direita produziram conteúdos ironizando o ato. Algumas das frases que ganharam popularidade incluíam:
“Foi tanta gente que dava pra jogar uma partida de futebol com todos os presentes.”
“Se o Lula fosse lá, teria mais segurança do que apoiador.”
“Nem os militantes pagos apareceram dessa vez?”
A situação reforça uma tendência que tem sido observada desde 2022: enquanto Bolsonaro ainda consegue mobilizar grandes multidões, a esquerda encontra dificuldades para reunir apoio popular significativo em manifestações de rua.
A diferença entre atos da direita e da esquerda
Nos últimos meses, eventos convocados por Bolsonaro e seus aliados têm atraído multidões, como o ato realizado no Rio de Janeiro em março, onde milhares de pessoas tomaram a orla de Copacabana. Já manifestações da esquerda, como a deste domingo, têm mostrado um engajamento muito menor, mesmo com amplo apoio de setores da mídia e de movimentos sociais.
Alguns fatores podem explicar essa diferença:
Bolsonaro ainda tem um eleitorado fiel e engajado, que vê nele um líder contra o establishment político e judiciário.
A pauta da anistia mobiliza fortemente a base bolsonarista, que vê os presos do 8 de janeiro como vítimas de perseguição política.
A esquerda enfrenta dificuldades para unificar sua militância em torno de manifestações, especialmente após a eleição de Lula, que desmobilizou parte do ativismo de rua.
Conclusão
A manifestação convocada por Guilherme Boulos na Avenida Paulista terminou se tornando um grande exemplo da atual disparidade entre as mobilizações da direita e da esquerda no Brasil. Enquanto Bolsonaro e seus aliados continuam a reunir multidões, eventos promovidos por lideranças progressistas têm enfrentado dificuldades para atrair grande público.
O ato deste domingo mostrou que, mesmo com o apoio de movimentos sociais organizados, a esquerda não conseguiu transformar sua narrativa contra Bolsonaro em engajamento popular. O fracasso da manifestação gerou piadas e ironias nas redes sociais e deixou claro que, ao menos por enquanto, o campo conservador segue com maior capacidade de mobilização nas ruas.