“A extrema direita tem um domínio das redes sociais muito superior ao nosso”, diz Haddad

Em uma entrevista recente ao podcast Inteligência Ltda., o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez duras críticas ao domínio da extrema direita nas redes sociais, afirmando que esse grupo tem um controle muito maior sobre as plataformas digitais do que a esquerda. Para Haddad, esse domínio desigual das redes sociais facilita a propagação de informações falsas, que chegam rapidamente à população. Ele alertou para o impacto negativo de notícias falsas, dizendo que, embora as informações verídicas sejam caras e difíceis de obter, as mentiras são baratas e, muitas vezes, se espalham de forma explosiva, como pólvora.

O ministro deu como exemplo o vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que teve enorme repercussão nas redes. No conteúdo, o parlamentar distorce informações sobre uma norma da Receita Federal que obrigava instituições financeiras a reportarem movimentações de Pix e cartão de crédito acima de determinados valores. O vídeo teve mais de 200 milhões de visualizações em apenas um dia, o que destaca o impacto das fake news e a velocidade com que elas podem se propagar. Segundo Haddad, a verdade e a mentira têm velocidades diferentes quando se tratam de disseminação na internet, o que torna o ambiente digital ainda mais desafiador no combate à desinformação.

Em relação à economia, o ministro abordou dois projetos importantes que estão sendo discutidos no Congresso. O primeiro é o da isenção do Imposto de Renda, que visa beneficiar pessoas que ganham até R$ 5 mil, além de oferecer descontos para quem recebe até R$ 7 mil. Haddad reconheceu que a principal dificuldade desse projeto será a compensação das perdas de recursos, mas ressaltou a importância de aliviar a carga tributária para a população de baixa renda.

O segundo tema foi o Crédito do Trabalhador, um programa lançado para facilitar o acesso ao crédito consignado para trabalhadores de empresas privadas. Haddad explicou como o programa está funcionando, destacando que, até as 14h do dia de seu lançamento, mais de 13,4 milhões de simulações de crédito haviam sido feitas e 1.349 contratos fechados. O ministro enfatizou que, ao aumentar o conhecimento do sistema financeiro sobre a vida dos trabalhadores e seu histórico, as taxas de juros poderiam ser mais baixas, uma vez que a confiança no pagamento do empréstimo aumentaria.

Em meio à crescente polarização política e aos desafios econômicos, as declarações de Haddad refletem a necessidade de uma estratégia mais eficiente para combater a desinformação e, ao mesmo tempo, a urgência de políticas públicas que tragam alívio à população e estimulem a confiança no sistema financeiro, sem comprometer a estabilidade econômica do país.

O cenário político e econômico continua a se desenrolar em um contexto de tensões, mas também de novas abordagens para resolver problemas crônicos, como a alta taxa de juros e a falta de transparência nas informações disseminadas nas redes sociais.

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Bruno Rigacci

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