Lula faz Oração e critica Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou nesta quarta-feira (19) uma barragem na cidade de Jurucutu, no Rio Grande do Norte, parte do Complexo Oiticica. Durante a solenidade, Lula fez um aceno ao eleitorado evangélico, fazendo uma oração do Pai-Nosso ao lado do arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, o que reforçou sua aproximação com este público. A medida ocorre em meio a um esforço para conquistar apoio entre os evangélicos, que têm se mostrado um dos grupos mais críticos ao governo petista nas pesquisas de opinião.
Lula Critica a Gestão de Bolsonaro e Religião
Durante seu discurso, Lula fez uma análise sobre a seca e afirmou que este é um “fenômeno da natureza” causado por Deus. No entanto, o presidente destacou que morte de pessoas e animais devido à seca é uma questão de irresponsabilidade dos gestores passados. Lula fez uma crítica direta à gestão de Jair Bolsonaro, dizendo que o ex-presidente “só sabia mentir na televisão, destilar ódio e contar mentiras”, se referindo à transposição do rio São Francisco, um dos grandes projetos hídricos de Bolsonaro, que visava levar água para regiões mais afetadas pela seca no Nordeste.
Oposição à Religião de Bolsonaro
Além das críticas à gestão de Bolsonaro, o presidente também comentou sobre a religiosidade do antecessor, sugerindo que ele não deveria “usar o nome de Deus em vão”. A declaração veio em meio a um crescente embate ideológico sobre o papel da fé religiosa na política, com os evangélicos tendo se alinhado em grande parte com Bolsonaro nas últimas eleições.
Investimentos em Infraestrutura
A obra da barragem, que faz parte do Complexo Oiticica, é uma intervenção hídrica de grande porte que custou R$ 765 milhões e começou a ser executada durante o governo de Dilma Rousseff (PT), em 2013. A construção do projeto durou 12 anos e visou a segurança hídrica da região, além de ser vista como uma ação fundamental para mitigar os efeitos da seca prolongada.
Desafios no Eleitorado Evangélico e Críticas ao Populismo
Embora Lula tenha buscado o contato com os evangélicos, esse grupo continua sendo um dos mais críticos ao governo. Recentemente, ele tem sido visto como um líder que não consegue mais cativar esse eleitorado da mesma forma que em outros tempos. Parte dessa mudança pode estar relacionada a uma percepção diferente sobre os programas sociais do governo, principalmente no que diz respeito às políticas de assistência e distribuição de recursos, que nem sempre são bem vistas pelos evangélicos, que têm um perfil mais conservador e desconfiado das propostas do governo petista.
Apesar dessa resistência, Lula parece estar dobrando a aposta em tentar agradar à base religiosa, promovendo políticas populistas que buscam ainda mais gastos públicos, mesmo que em um momento de restrição orçamentária. Esse movimento vai de encontro a um contexto econômico em que o governo enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento no Congresso Nacional, o que pode gerar tensões sobre a sustentabilidade fiscal do país.
A Percepção do Eleitorado de Base Econômica Baixa
O desafio de Lula com o eleitorado evangélico pode também ser refletido na mudança de percepção dentro da base econômica mais baixa. Muitos desses eleitores, que anteriormente eram mais favoráveis ao discurso de “justiça social” e “redistribuição de renda” dos programas do PT, hoje demonstram desconfiança em relação à continuidade desse tipo de abordagem, especialmente quando os recursos escasseiam e as promessas de mais benefícios sociais entram em conflito com as realidades fiscais do governo.
Conclusão
O evento de inauguração da barragem em Jurucutu parece ter sido uma tentativa de Lula de reforçar sua imagem como líder que cuida da infraestrutura e da segurança hídrica do país, ao mesmo tempo em que critica a gestão anterior e tenta se aproximar do eleitorado evangélico. Contudo, o presidente ainda enfrenta desafios significativos para conquistar esse público e resolver os gargalos econômicos do país, especialmente em tempos de restrição orçamentária.